ALEAM discute situação dos pacientes renais do Amazonas

LUIZCASTRO

Maior agilidade na liberação dos exames e internação após o transplante são alguns dos pleitos feitos pelos pacientes renais do Amazonas em audiência pública, na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), na manhã desta segunda-feira (11) para tratar sobre avanços e desafios na assistência à saúde dos pacientes renais crônicos no Amazonas.

De autoria do deputado estadual Luiz Castro (PPS), a audiência contou com a participação da coordenadora estadual de Transplante da secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), Leny Passos, a representante da Secretaria de Estado da Assistência Social, (Seas), Graça Prola, o presidente da Associação dos Renais Crônicos do Amazonas (Arcam), Leôncio Teixeira, o vice-presidente, José Porfírio Bessa, o representante do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM), Clodoaldo da Silva Almeida, o presidente da Associação dos Transplantados do Amazonas, Rildo Soares, além de pacientes renais.

Segundo Leôncio Teixeira, tem pacientes que passam vários meses na maratona de exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e quando concluem os primeiros já venceram e tem que começar de novo, porque tem exame que leva entre três a quatro meses para ficar pronto. “Por isso estamos pedindo agilidade”, disse o dirigente da entidade, ressaltando que “quem possui condições financeiras, paga em torno de R$ 15 mil e faz os exames rápido”.

Quanto à internação, Teixeira disse que o ideal é que o transplantado possa ter um período de acompanhamento no Hospital Santa Júlia, onde são realizados os transplantes, porque está havendo muita rejeição. “Todas as pessoas que estão fazendo transplante, em sua maioria, está voltando para a máquina, alguns morrem lá mesmo”, afirmou.

Avanços pontuais

O deputado Luiz Castro reconhece que já houve alguns avanços pontuais no tratamento dos renais crônicos no Amazonas, por conta da luta da Arcam em defesa desses pacientes, principalmente iniciar o transplante de doador não vivo – pessoas que falecem de acidentes, cujos órgãos saudáveis são aproveitados.  “A doutora Leny Passos tem feito este trabalho com a ajuda da Arcam e de outros médicos e o Hospital Santa Júlia tem feito as cirurgias”, mencionou.

No entanto, o deputado defende que é preciso um apoio maior para a coordenadoria de Transplantes, por parte da Susam, inclusive a ampliação do atendimento para os hospitais públicos como o Adriano Jorge. “Os jovens médicos que estão se formando na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) podem aprender as técnicas de cirurgias para formar novas equipes e no futuro aumentar o numero de transplantes no Estado, cuja fila de espera é grande”, disse.

Com relação à hemodiálise, o parlamentar disse que é grande a luta dos pacientes que, em sua maioria, tem deficiência de locomoção. “Esse paciente precisa ser reconhecido como uma pessoa com deficiência e com isso ter direito ao transporte gratuito e todas as políticas de apoio”, disse Castro, defendendo ainda uma política para pós- transplante, a fim de que o paciente continue recebendo o atendimento necessário.

Na opinião do deputado estadual José Ricardo (PT), há um grande descaso e falta de vontade política do governo de priorizar o atendimento aos renais crônicos. Segundo o parlamentar, o convênio com a Santa Julia, empresa que tem como principal cliente o governo do Estado, não é suficiente, é preciso ampliar esse atendimento. “Desde 2011 estamos apresentado emenda ao orçamento do Estado, visando aumentar a demanda de leitos para atender pacientes portadores de doença renal crônica, que dependem do tratamento de hemodiálise para sobreviver”, frisou.

Vale destacar que esse tratamento precisa ser feito em sessões, três vezes por semana, e que limita a vida dos pacientes, impedindo-os de fazer atividades simples como trabalhar ou estudar. Dados da Susam apontam que aproximadamente 1,1 mil pessoas se submetem à hemodiálise nas unidades de saúde especializadas de Manaus, cuja grande maioria não tem condições de arcar com os custos de transporte e, muitas delas, estão com a saúde extremamente debilitada, o que dificulta a locomoção entre a residência e o local do tratamento.

De acordo com a coordenadora Leny Passos, a doação de órgãos é um serviço novo no Amazonas. Ela disse que até 2010 não havia transplante de doador falecido, apenas de doadores vivos, ou seja, inter-vivos – pessoas que têm parentes que podem ser doador. “Esse trabalho tem evoluído, em 2011, foram realizados dez transplantes de rins, cujo número saltou para 44, em 2012”, informou a médica, ressaltando que existe um trabalho de conscientização junto à população sobre a doação de órgão.

Leny Passos reconheceu que a demora acontece e se trata de uma situação nacional, haja vista que os exames são regulados pelo sistema de regulação (Sisreg). Ela disse que a Susam vai implantar um projeto que visa realizar tais exames em vários laboratórios na tentativa de dar maior agilidade. “No Amazonas 319 pessoas estão na lista”, disse a coordenadora, lembrando que as doenças renais são as principais no mundo devido à hipertensão e diabetes, cuja faixa etária mais atingida é após os 40.