Médicos denunciam à CGU: pacientes morreram por falta de medicamento para reanimação

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Em reunião com o chefe da Controladoria Geral da União, Marcelo Borges, médicos de entidades representativas dos profissionais da área de saúde fizeram denúncias muito graves, como por exemplo, mulheres que têm filhos e não podem sair da maternidade porque está faltando kits de testes obrigatórios para crianças. E há ainda relatos muito tristes de médicos que perderam pacientes na reanimação por falta de remédios que custam muito barato e são básicos e obrigatórios.

Participaram da reunião, o Conselho Regional de Medicina, Sindicato dos Médicos do Amazonas, Instituto de Ortopedistas do Amazonas, além de associações e cooperativas que representam Ginecologistas, Obstetras, Nefrologistas e Anestesiologistas. Representando o Poder Legislativo estadual, estava presente a depurada Alessandra Campelo (PMDB).

Uma das propostas apresentadas pela deputada estadual Alessandra Campêlo (PMDB) foi intervenção federal no setor de saúde do Amazonas. A parlamentar e as diversas entidades que representam o setor médico estiveram na sede da instituição para apresentar novas denúncias sobre o caos instalado no sistema. O encontro foi um desdobramento da Operação Maus Caminhos, que na semana passada desbaratou uma organização criminosa que desviava recursos públicos do Fundo Estadual de Saúde.

De acordo com Alessandra, as investigações da Polícia Federal, Receita Federal e CGU mostraram como a corrupção está prejudicando e precarizando o atendimento nas unidades de saúde administradas pelo Governo do Estado por meio da Susam. A deputada acredita que os médicos podem contribuir decisivamente com os órgãos de investigação, pois conhecem a realidade do sistema.

A deputada defende um “pente fino” em todos os contratos firmados pela Susam nos últimos anos, pois existem recursos estaduais e federais indo para o ralo da corrupção, enquanto o atendimento só piora a cada dia. Além disso, trabalhadores e cooperativas médicas reclamam de atraso nos pagamentos.

“Eu acredito que vários contratos e várias prestações de serviços e fornecimento de materiais por parte de empresas ou organizações sociais também vão ser averiguadas pela CGU. O objetivo é exatamente aproveitar essa investigação para se passar a limpo toda essa questão do péssimo atendimento. Na minha opinião, a saúde do Amazonas precisa de uma intervenção federal”, concluiu Alessandra.

Médicos com salários atrasados

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Viana, os órgãos que desarticularam a organização criminosa merecem todo o reconhecimento. Ele, no entanto, destacou que os médicos então contratados pelo Instituto Novos Caminhos estão com seus postos de trabalho ameaçados. É o caso dos profissionais que trabalhavam na UPA do Campos Salles (Manaus) e Tabatinga.

“Como o Instituto Novos Caminhos teve o contrato suspenso por causa das denúncias de corrupção, os médicos estão com seus postos de trabalho ameaçados. Eles continuam trabalhando e sem receber há dois, três meses, e com uma instabilidade. Isso é muito ruim, pois são mais de 180 colegas que atendem aqui na UPA de Manaus no Campos Salles e mais UPA e maternidade de Tabatinga”, explicou Viana.

O dirigente também comentou sobre a situação das antigas cooperativas, hoje empresas de especialidades médicas. Elas sofrem com atraso de pagamentos e falta de insumos básicos, além da falta de condições de trabalho dignas nas diversas áreas de atuação (Ortopedia, Cirurgia, Maternidades).

“A gente está aqui para denunciar e informar que toda essa situação é resultado com certeza desse nível altíssimo de desvio de corrupção e desvio de dinheiro público”, concluiu Viana.

Tanto a deputada quanto as entidades médicas defendem a instalação de CPI para investigar o caos na saúde no âmbito da Assembleia Legislativa do Amazonas.

Texto: Any Margareth e Assessoria da deputada