Alguém pode me dizer o que adiantou brigar (no caso do Radar até xingar) contra a PEC 37?

Quando apareceu a malévola intenção de restringir os poderes de investigação do Ministério Público, com a aprovação de uma tal PEC 37, o que se viu foi uma mobilização nacional poucas vezes vista dos veículos de comunicação para fazerem os nobres parlamentares do Congresso Nacional desistirem da ideia nada nobre de transformar o MP num órgão decorativo, sem condições legais de investigar os crimes contra a administração pública, como os casos de corrupção por exemplo, e delitos praticados por organizações criminosas. Legislando em causa própria, muitos dos “enrolados” parlamentares do nosso País que se veem as voltas com acusações de corrupção, apelavam pra tudo que é santo (e colega de Parlamento) pra PEC 37 ser aprovada. O coro era um só: “investigação é coisa de polícia e não do Ministério Público”. Pois bem, a imprensa nacional largou a peia nos parlamentares que defendiam tal coisa, e de quebra no Congresso Nacional inteiro. E, como não poderia deixar de ser o nosso Radar, mesmo fazendo um “barulho” meio fraquinho já que só tinha três meses de nascido, botou pra fazer barulho contra a hedionda PEC 37. Dito e certo, os nossos nobres representantes no Parlamento Federal, muito menos por intenções nobres, e muito mais pela preocupação rasteira de se verem desmoralizados nacionalmente e perderem votos, rejeitaram e mandaram arquivar a tal da PEC 37. Os membros do Ministério Público em todo o País comemoraram a decisão da Câmara Federal, e junto com eles todos os seguimentos da sociedade civil organizada, assim como os veículos de comunicação, sem exceção. Estava garantida a manutenção de um instrumento fundamental do Estado de Direito: o poder de investigação do Ministério Público que, como diz o próprio nome, iria continuar defendendo a coisa pública, e pedindo punição aos culpados, que desviam recursos públicos para suas próprias contas, enriquecem a olhos vistos, enquanto impõem a miséria ao povo das cidades desse País.

E de que adiantou?

Mas, perdoem-me se vou parecer tão revoltada, mas é que ainda não perdi (e espero jamais perder) a capacidade de me indignar com certas coisas. Afinal, não nasci com “talento” pra vegetal e nem com tendência pra “morto-vivo”. Dá vontade de perguntar: Será que dá pro Ministério Público fazer valer o poder que brigamos tanto pra ele continuar tendo? Estou dizendo isso porque em Coari, por exemplo, as gavetas do Ministério Público estão abarrotadas de denúncias que vão desde crimes eleitorais, passando pelos administrativos e até os previstos no Código Penal, e nada acontece. Naquele município, o promotor público Felipe da Cunha Fish que se diz testemunha ocular de um crime, a farra dos secretários com carros e combustível pago com dinheiro público, se limita a fazer uma mera “recomendação” através de um pedaço de papel, e o crime continua acontecendo e ele testemunhando e nada é feito.

Vítimas presas

E o mesmo Ministério Público que pediu a prisão preventiva de servidores públicos de Coari acusados de exploração sexual de crianças e adolescentes sob alegação de que eles estavam perseguindo e ameaçando vítimas e testemunhas, é o mesmo MP que dá parecer favorável para que eles sejam transferidos do presídio em Manaus para Coari, com direito a melhores acomodações na prisão, com regalias de preso especial, com direito a voltinhas pela cidade, e ainda peitar as vítimas e as testemunhas que são tratadas como “as putas que seduziram e traíram Adail) – peço perdão pela expressão pornográfica, mas estou tentando ser fiel aos fatos e fazer com que as pessoas se coloquem no lugar de uma mulher que foi molestada aos dez anos, e ainda tem que ouvir amedrontada uma agressão como essa. E sem nenhuma manifestação do MP, elas agora estão presas dentro de suas casas e os acusados estão livres.

Enriquecimento ilícito

E bem as vistas do Ministério Publico – com certeza o promotor público deve ser testemunha ocular também nesse caso –  e toda a cidade de Coari sabendo dos fatos, e tudo tendo sido publicado no Radar, mesmo assim pelo menos que sabe não há qualquer providência do MP sobre o visível enriquecimento do vice-prefeito de Adail, e prefeito em exercício, Igson Monteiro. A “lavagem” de dinheiro público é visível com a compra de vários imóveis que estão em seu nome ou em nome de familiares. E o poder de investigação que brigamos tanto para não tirarem do MP? Onde está? Será que foi parar no arquivo junto com a PEC 37?