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Amanhã é dia de festa meu povo!

festa-da-democraciaUma mulher pobre passando sua melhor roupa e indo ao sapateiro consertar seu único sapato de festa, preparando-se para um dia de comemoração, um dia especialmente feliz. Essa é a imagem que me vem à mente todo dia que antecede uma eleição. A resposta para tal lembrança vem de alguém que me contou o quanto, em seu tempo e para sua geração, era importante votar em uma eleição.

Usei a expressão contou porque não vi esse ritual de preparação as vésperas de uma eleição, afinal quando nasci estávamos no período de Ditadura Militar, tempos de perdas dos direitos civis. E, para ela, o principal direito perdido foi o de escolher livremente em quem votar.

A mulher da qual estou falando é minha mãe, Dona Iracildes, alguém que nem terminou o segundo ano do primário, hoje ensino fundamental, e que até o nome escrevia com dificuldade. Mas, alguém que lia – ou seria melhor dizer soletrava – tudo que lhe chegava às mãos, de Manifesto Comunista, de Marx e Engels, a I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias – ela amava poesia. E foi ela quem me falou, em pleno tempo de Ditadura, com um olhar triste, que votar era sinônimo de ser feliz.

Para ela, tinha-se a obrigação de preparar a melhor roupa, colocar um sorriso no rosto e ter um andar altivo, afinal, “você é a pessoa mais importante do seu País” – frase dela. Essa mulher, de pouca instrução tradicional e muita sabedoria de vida, me ensinou que acima de um direito você tem o dever de julgar quem é melhor para o destino do seu povo. O dever de impedir que certo tipo de gente, a quem ela chamava de “gente que não presta” chegasse ao Poder.

Minha mãe morreu antes da redemocratização do Brasil, antes que tivéssemos o direito de votar novamente. Mas, em homenagem a ela, já preparei uma roupa pra festa desse domingo, além do meu melhor sorriso e de um olhar altivo. Assim como fiz em eleições passadas, vou levar no peito, literalmente falando, o número do meu candidato e se acontecer o que houve em 2014 quando um PM decidiu mandar eu tirar a praguinha do peito, – pareceu até que estava na Ditadura Militar – faço uma confusão danada como fiz naquela época, afinal, euzinha e cada um de vocês somos as pessoas mais importantes dessas cidade, né mesmo meu povo? (Any Margareth)