Amazonas registra aumento de 53% nos casos de malária

A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) registrou que, até o mês passado (setembro), o Amazonas registrou  56.615 mil casos da doença. O número representa um aumento de 53% em relação ao mesmo período de 2016, que contabilizou 36.793 mil casos. Entre os municípios que apresentaram maior número de casos da doença, até setembro de 2017, estão Manaus (7.391 casos), São Gabriel da Cachoeira (7.372), Barcelos (5.891), Santa Izabel do Rio Negro (5.743), Coari (3.537), Guajará (2.335) e Lábrea (1.872).

Por conta disso, a Secretaria Estadual de Saúde (Susam) anunciou que estará intensificando as ações de combate à malária e irá convocar os representantes das prefeituras dos 62 municípios do Amazonas, para uma atuação em conjunto. O objetivo é reforçar as estratégias de controle do mosquito transmissor da malária, além das ações de diagnóstico e tratamento da doença. A iniciativa tem o objetivo de frear a incidência da doença, que geralmente aumenta no período sazonal do segundo semestre do ano, devido à maior quantidade do mosquito vetor.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato, a proposta é convocar os representantes das prefeituras, principalmente dos municípios que apresentaram aumento de casos da doença, para intensificar as ações e traçar estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento da malária. O secretário, que está no cargo há pouco mais de uma semana, informa que até o final do ano a FVS irá receber novos materiais como, por exemplo, mosquiteiros impregnados com inseticidas, para serem distribuídos no interior.

 De acordo com o diretor- presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, o aumento de casos foi registrado principalmente nos municípios da calha do Alto Rio Negro e Médio Solimões. “Em relação aos municípios do Alto Rio Negro, uma preocupação tem sido a ​reintrodução do plasmodium falciparum, espécie de parasita da malária, que tem evolução rápida podendo levar o paciente a óbito”, destacou.

 Bernardino ressalta que, no primeiro semestre, a FVS, em conjunto com as Secretarias Municipais de Saúde, implementou um plano de ações, que incluiu a ampliação da rede de diagnóstico e de combate ao vetor e a realização de cursos de capacitação para os novos controladores municipais, responsáveis pela execução de combate à endemia. Além disso, foram reforçadas as medidas de proteção individual e familiar, com a distribuição de mosquiteiros impregnados com inseticidas.

Também no primeiro semestre, a FVS disponibilizou 6 mil kits de coleta para diagnóstico da malária.  A iniciativa contribui com a busca ativa de casos suspeitos da doença. “Com o kit, o agente de saúde que for visitar as casas de moradores da zona rural, e identificarem uma pessoa com febre (caso suspeito), poderá imediatamente coletar o material e fazer o exame e, assim, iniciar o tratamento de forma precoce”, comenta.

 Albuquerque destaca que a população também tem um papel importante no controle da doença, permitindo o acesso dos agentes de endemias às residências e evitando a exposição ao mosquito transmissor da malária nos horários de maior risco de infecção da doença.

 A malária é uma doença infecciosa febril aguda, causada por protozoários, transmitidos pela fêmea infectada do mosquito Anopheles. Quando tratada em tempo oportuno e adequadamente, evolui para a cura sem complicações. No entanto, o tratamento tardio ou deficiente pode levar à morte.​ Todas as ações de combate e controle da malária são coordenadas pelo Estado e executadas pelas Secretarias Municipais de Saúde.