Amazonas sob o domínio do medo

É triste e vergonhoso ter que escrever que o Amazonas lidera o ranking da violência no país e que um raio-x da violência no Brasil mostrou que, em nível nacional, houve uma redução no número de mortes violentas, enquanto essas ocorrências aumentaram desenfreadamente no Amazonas. A capital do estado, Manaus, teve um aumento de quase 49% no número de mortes violentas. Esses números são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Passando da frieza dos números estatísticos para a realidade nua e crua, um dos exemplos mais claros dos dias de medo e de crueldade que o povo do Amazonas tem vivido são os assaltos que acontecem no transporte coletivo diariamente.

Segundo números do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) ocorreram 810 assaltos a ônibus somente nos cinco primeiros meses deste ano.

E quem estava dentro desses coletivos relata momentos de terror diante da violência dos assaltantes armados que agridem quem está dentro do ônibus. Muitas pessoas dizem que ao pisar dentro de um ônibus já começam a sentir medo.

E o medo parece ser um sentimento que está acompanhando os amazonenses no dia a dia. É fácil ouvir alguém dizer que não se sente seguro sequer de ir com os filhos num lanche, algo que era costumeiro para muitas famílias.

Mas com a ação de pistoleiros que se tornou algo corriqueiro em Manaus, qualquer um pode ser morto ou ver alguém de sua família ser atingido por uma bala, apenas por estar fazendo um lanche com a família. Os pistoleiros chegam pra executar alguém e atiram pra todos os lados, não querem nem saber quem vão atingir na hora de cometer o assassinato.

E a gente ainda tem que ouvir da própria polícia que aquela pessoa “estava no lugar errado, na hora errada”, como se a criminalidade fosse obra do acaso e não da incompetência do Poder Público e de uma política de segurança pública ineficiente.