Amazonas pode se tornar produtor de fome

agricultores

O Governo Federal decidiu criar duas unidades de conservação nos municípios de Maués e Borba, com área estimada em 952 mil hectares. E onde ficam as áreas para que o homem interiorano possa plantar, pescar e criar alternativas para o sustento de suas famílias? Esse foi o tema do discurso do deputado estadual Orlando Cidade (PTN), na manhã de hoje, durante a sessão plenária da Assembléia Legislativa do Estado (ALE), onde o governo federal foi alvo de críticas já que, segundo o parlamentar, sua política de proteção ao meio ambiente vai prejudicar os trabalhadores rurais amazonenses.

“A justificativa dada é de que a criação dessas unidades servirá para manter a floresta em pé. Mas, quero deixar registrado, que o Amazonas é o Estado com o menor índice de desmatamento. Não vejo razão para essa ação, que só tem a prejudicar o trabalhador rural”, destacou o deputado, ao informar que as unidades serão criadas em Parauarí, com 472 mil hectares, e Urupadí, 480 mil hectares.

Na ocasião, o deputado frisou ainda considerar fundamental que os governantes dos municípios se “movam” para tentar barrar a criação das áreas de preservação. “Isso é inaceitável, pois o homem do interior será o principal afetado por não poder ter uma área para plantar e rio para pescar. Dessa forma, o Amazonas se tornará o maior produtor de fome do país e a ação é um ato criminoso contra os amazonenses”, reforçou.

O repasse de terras

O Ministério do Desenvolvimento Agrário repassou ontem 952 mil hectares de terras federais no Estado ao Ministério do meio Ambiente com o objetivo de reduzir o desmatamento na região. Os ministros do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, já assinaram o ato de destinação da área, que ocorreu por meio do programa governamental “Terra Legal Amazônia”.