Amazonino foge de perguntas como possível apoio a Artur em 2018 e ironiza adiamento de sua posse

Driblando perguntas como apoio político a aliados nas próximas eleições, escolha de secretários e do líder do seu Governo no Legislativo, o governador tampão Amazonino Mendes (PDT), ironizou a mudança de data da sua posse como Chefe do Executivo dizendo tratar-se apenas de uma ‘marolinha inofensiva’. A declaração foi dada por ele durante coletiva de imprensa, realizada na tarde dessa quinta-feira (22), em seu ex-comitê de campanha no bairro Dom Pedro.

Amazonino que viajava nas respostas para responder a simples questionamentos  tentou a todo momento mudar o curso das indagações dos repórteres.

Quando finalmente começou a responder, ele disse acreditar que há um propósito do presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), Abdala Fraxe (Podemos), em adiar a data da posse e estender ainda mais, segundo ele, a interinidade do governador Davi Almeida. “É lamentável. Eu não estranho isso e sei que há um propósito demonstrado em esticar a posse. Mas esse problema para mim é uma marolinha inofensiva. Um problema que vamos enfrentar e ultrapassar. Está tranquilo a questão da posse”, disse Amazonino.

Ele ressaltou que tem um entendimento de que a lei não obriga que governador tome posse na Assembleia, porém, ele faz questão de que ela ocorra na ALE.  “Eu quero e gostaria que fosse lá, de forma constitucional e republicana como manda o regimento. Não é por um ou outro membro da Assembleia que vamos desprestigiar os demais. Não se iludam com a minha idade. Eu nasci revolucionário”, afirmou.

O governador eleito ressaltou que o bate-boca entre o seu vice-governador Bosco Saraiva (PSDB) e Abdala Fraxe, por conta do adiamento da posse não vai influenciar na relação do governo com a Assembleia. “Não vou ter problema nenhum com a ALE. Minha relação será constitucional e republicana”, comentou.

Amazonino fez críticas ao governador interino, David Almeida, afirmando que a interinidade deve ter conceitos observados. “Ele não pode fazer propostas em relação a finanças e não pode exonerar nem nomear”, pontuou.

O governador tampão afirmou ainda que David Almeida deixou para ‘muito tarde’ a revogação da Lei que aumentou em 2% o ICMS de 13 produtos. “Se ele não revogar eu revogo. Essa matéria já deveria ser revogada há tempos. Ela passou na Assembleia quando ele era o presidente e a população se sentiu ofendida”, alfinetou.

Quando foi questionado pelo Radar se daria apoio a uma possível candidatura do prefeito Arthur Neto (PSDB), para o governo do Estado em 2018, Mendes saiu mais que depressa pela tangente e, assumindo seu conhecido ar paternal, se limitou em fazer um afago no rosto do repórter e dizer que os 20 minutos de coletiva já haviam se encerrado.

Num comentário frustrante para quem está empolgado em conquistar a liderança do Governo – ler deputado Dermilson  Chagas – Mendes disse que vai decidir em breve um nome para fazer, segundo ele, um papel “relativo” na ALE. “Vamos escolher o líder de forma democrática ouvindo todos os deputados. Liderança é algo relativo, pois o legislativo é independente”, ponderou, ressaltando que também ainda não tem definido os nomes para o seu secretariado.

“É uma tarefa muito espinhosa e difícil. De muita responsabilidade. A escolha vai ser técnica sem conotação política. Ninguém faz do governo uma concha de retalhos. Eu sei que ganhei uma eleição para ter uma missão básica que é reconstruir o Estado. Adversários políticos também trabalham pelo Estado. Chega de politicagem do país. Eu não estou pegando um barco andando. Estou pegando um barco aos destroços”, concluiu Amazonino. (Asafe Augusto e Any Margareth) 

Fotos: Erik Oliveira