Anvisa recomenda suspensão da temporada de cruzeiros

Orientação da Anvisa acontece devido ao aumento repentino de casos de Covid-19 em embarcações na costa brasileira

anvisa cruzeiros

Foto: Guilherme Dionízio/Estadão Conteúdo

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomendou ao Ministério da Saúde, em nota técnica publicada nessa sexta-feira (31), a suspensão provisória da temporada de navios de cruzeiro. A ação se dará em caráter preventivo, até que haja mais dados sobre o cenário epidemiológico, diante do aumento de casos de Covid-19 nas embarcações que operam cruzeiros marítimos na costa brasileira.

De acordo com a agência, a orientação se deve especialmente ao aparecimento e à transmissão da variante Ômicron em território nacional. Na nota, enfatiza-se o fato de que tal recomendação segue lei segundo a qual medidas de restrição para entrada no país por rodovias, portos ou aeroportos devem ser tomadas de forma conjunta pelos ministérios da Saúde, Justiça e Segurança Pública e Infraestrutura, mas mediante uma recomendação técnica da Anvisa.

Nesta sexta-feira, dois navios — o Costa Diadema, em Salvador, e o MSC Splendida, que está no Porto de Santos — tiveram suas atividades interrompidas devido a casos de Covid-19. Com o aumento de casos entre tripulantes do MSC, houve fiscalização por parte da Anvisa e da Secretaria de Saúde de Santa Catarina. Ao todo, foram identificados 51 tripulantes e 27 passageiros com Covid-19, além de 54 pessoas que tiveram contato com infectados. Todas as 132 pessoas foram desembarcadas.

No caso do Costa Diadema, foram confirmados 68 casos de Covid-19 na quarta-feira (29), sendo 56 entre tripulantes e 12 entre passageiros. Na nota técnica, a agência ressaltou que, durante investigações feitas nos dois navios, foram coletadas amostras “para mapeamento genômico e identificação de possíveis variantes”, e que, no caso do MSC Splendida, “há forte indicativo de que se trata da referida variante”.

As operações de cruzeiros foram retomadas após uma portaria dos três ministérios, no início de outubro. A agência afirma que, na ocasião, o mundo ainda não havia identificado a variante Ômicron.

“Os dados disponíveis até o momento apontam que a variante Ômicron tem o potencial de se espalhar mais rápido do que outras variantes e que pode contornar parte da proteção imunológica de vacinas e casos anteriores de Covid-19”, explicou.

Nesta quinta-feira (30), o Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC) aumentou o nível de alerta da Covid-19 para viagens, devido ao aumento de casos de contaminação em navios de cruzeiro.

“A manifestação da Anvisa foi pautada no princípio da precaução, ao priorizar o impedimento da ocorrência de agravo à saúde pela adoção das medidas necessárias à sua proteção”, ressaltou a agência brasileira em nota.

A recomendação deve agora ser avaliada pelos ministérios envolvidos, para que então seja deliberada alguma decisão que afete as operações dos navios.