Anúncio Advertisement

Apagaram da Bíbilia “amar ao próximo como a ti mesmo” e da Constituição “todos são iguais perante a Lei”?

A comissão de revisão do Plano Diretor aprovou a emenda 01 que altera a redação de um dos anexos do projeto n° 322/2013, que trata das normas de uso e ocupação do solo, classificando igrejas, templos e organizações religiosas da cidade como locais de atividades tipo 1, que poderão funcionar ao lado de residências sem limitações específicas quanto a sua localização. Sendo ainda mais explícito, sem esse lero-lero legislativo apenas para o povo não entender coisa nenhuma, esses estabelecimentos não precisariam de certificação do Corpo de Bombeiros para checar o cumprimento das normas de segurança quanto a um possível incêndio, estariam livres da fiscalização dos órgãos ambientais para ver se não destruíram a mata e não poluíram os mananciais (fontes de água superficiais ou subterrâneas), estariam isentas de fiscalização quanto a poluição sonora podendo provocar os níveis de ruído que bem entendessem e o tráfego de veículo em plena área residencial estaria liberado para essas instituições, como por exemplo, estacionar em frente de uma garagem sem sofrer qualquer sanção dos órgãos fiscalizadores.

Contra as Leis de Deus   

E aqui no Radar onde funcionários ou parceiros, conseguem viver na paz de Deus mesmo estando “tudo junto e embolado” católico, cristão, agnóstico – acredita em Deus, mas não tem religião -, evangélico, judeu, muçulmano, espírita e até ateu – só da boca pra fora porque, com certeza por sua obras solidárias, bondade e bom caráter Deus está com ele – ficamos com o seguinte questionamento: o maior de todos os mandamentos, ensinou Jesus, não é amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo”? E quem ama não respeita o seu semelhante? E quem respeita o próximo impõe ao outro os seus interesses e as suas convicções? Os nobres vereadores da comissão, evangélicos ou não, podem responder? Temos ainda mais questionamentos: Amar ao próximo não é se colocar no lugar outro? E, nos colocando no lugar do outro não dava para um evangélico imaginar o que seria um estabelecimento de uma “organização religiosa” – expressão usada na emenda de autoria do vereador evangélico Amaury Collares – de crenças afrodescendentes, como a umbanda, bem ao lado da sua casa? Ou será que essa emenda trata apenas como “organizações religiosas” somente as igrejas evangélicas? Que amor cristão ao próximo é esse que prega “ tratamento diferenciado” – defesa feita pelo vereador Amaury Collares sobre sua emenda – para seres humanos que eles próprios (evangélicos) dizem acreditar que são filhos de Deus?

Contra as Leis dos homens

Passando das questões religiosas para as questões legais, a emenda do vereador Amaury Collares afronta a Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 – Lei das Contravenções Penais -, cujo art. 42 considera a poluição sonora uma contravenção referente à paz pública:“Art. 42. Perturbar alguém o trabalho ou sossego alheios: I – com gritaria ou algazarra; II – exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais; III – abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos; IV – provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda: Pena – Prisão simples de quinze dias a três meses, ou multa.”  E ainda fere a Lei Federal n° 9.605/98 que dispõe sobre  Crimes Ambientais e, acima de qualquer Lei Complementar, “peca” contra dispositivo constitucional que determina como princípio fundamental do Estado de Direito o fato de que “todos são iguais perante a Lei”. Então, como “pregar” tratamento diferenciado como faz o vereador evangélico Amaury Collares?  Ele também ainda defende, segundo matéria do jornal A Crítica: “Queremos estar de acordo com a Lei, mas uma Lei Justa”. Se o notável legislador se acha no direito de nominar as Leis desse país de injustas, então que a bancada evangélica do Congresso Nacional modifique as Leis Federais e a própria Constituição, convencendo que no Estado Laico, com igualdade de tratamento do cidadão, não importa a religião ou o credo, um judeu, um muçulmano, um espírita, um católico…e até um ateu, tenha que aceitar, calado e passivo, ou seja obrigado a mudar de onde mora, porque se incomoda por uma banda gospel, com guitarra e bateria, estar tocando bem ao lado de sua casa, ou os gritos do pastor que expulsa o demônio do corpo de um possesso, ou as súplicas aos gritos daqueles que acreditam que Deus só ouve se você gritar – Mateus versículos 7-8 – “Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. 8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais.

AntiCristo

E, vivemos tempos, em que ter opinião oposta aos evangélicos é se tornar um AntiCristo, um endemoniado, e coisas do tipo, numa inversão de valores errônea e perigosa. Mas, afinal não são eles que se dizem perseguidos? E como praticam essa mesma perseguição aos que têm opinião adversa? Tanto isso é verdade que o presidente da Comissão do Plano Diretor, vereador Elias Emanuel que, junto com Waldemir José, foram os únicos votos contrários à aprovação da emenda, foi logo explicando que não se tratava de uma “ guerra santa” contra os evangélicos e que o debate nada tinha a ver com religião.