Apartamento de onde a menina caiu e morreu não tinha rede de proteção, afirma delegado

Criança de 6 anos morreu na madrugada deste sábado (11), após o pai deixá-la sozinha no apartamento, em Praia Grande (SP)

Foto: divulgação

O apartamento em que a menina Rafaella Lozzardo Silva, de 6 anos, estava quando caiu 12º andar e morreu, na madrugada deste sábado (11), no bairro Canto do Forte, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, não tinha rede de proteção, afirmou o delegado do caso Alexandre Comin. Especialistas ouvidos pelo g1 explicaram a importância e eficácia do item que poderia ter evitado a tragédia.

A advogada e professora de pós-graduação, Natália Bezan Xavier Lopes, explica que não há qualquer obrigatoriedade legal na colocação de redes de proteção. Sendo, então, uma escolha do morador.

“Especialistas recomendam, em geral, que seja colocado a partir do 2° ou 3º andar, onde em caso de queda de crianças ou animais domésticos o risco de ser fatal é maior”, afirma.

Ela explica, porém, que existem edifícios com andares só para estacionamento e área de lazer. Portanto, os imóveis, nestes casos, começam já em pavimentos mais altos.

Além disso, a advogada acrescenta que alguns condomínios proíbem a colocação de redes ou grades de proteção por alegarem que modifica a fachada do prédio. Entretanto, Natália argumenta que s jamais pode haver proibição à instalação de um item de segurança.

Ela ressalta que seria importante a proteção se tornar uma obrigatoriedade legal em apartamentos com crianças e animais domésticos. A advogada destaca que, apesar de já existirem mecanismos para responsabilizar penalmente e civilmente os pais ou responsáveis em casos de acidentes, uma lei que possa tornar obrigatória a colocação de redes ou grades “auxiliaria a evitar acidentes”.

A empresária, Victoria Bachin, de 34 anos, que acompanhou o caso pelas redes sociais, acredita que isso não teria acontecido se o apartamento tivesse rede de proteção. Mãe de duas meninas de 5 anos, ela já discutiu o assunto com o síndico do prédio em que mora.

“Os condomínios deveriam inserir essa regra em suas convenções, dessa forma, mesmo diante da irresponsabilidade do abandono de menores, tragédias como essa seriam evitadas”, afirmou.

Eficácia das redes de proteção

 

O empresário Clayton Muniz Costa, de 44 anos, que instala o item de segurança em casa e apartamentos, explica que as redes de proteção, se instaladas de forma correta, possuem uma resistência de 520 quilos.

As redes de proteção são feitas de polietileno trançado impermeável. Costa conta que para danificar o material é preciso usar elementos cortantes ou fogo. Ele inclusive cita que o cigarro costuma ser o maior vilão.

Mesmo quem tem rede de segurança em casa precisa estar atento ao tempo de uso. O empresário diz que após cinco anos é preciso trocar o material. Ele ressalta que não existem empecilhos para a instalação, sequer o envidraçamento de varandas.

“É um investimento, na verdade, não é um gasto, porque ela salva vidas. A gente pode ver que a queda das crianças, nos últimos acontecimento, sempre foi em locais onde não existia rede de proteção”, completa.