Apesar das provas mostrando não participação no crime, Alejandro é levado de volta para a penitenciária

Foto da reconstituição do crime na casa de Alejandro. Foto: Divulgação

Apesar das provas periciais, como por exemplo o DNA do sangue encontrado na casa e as testemunhas que estão no processo não apontarem para qualquer participação de Alejandro Molina Valeiko no assassinato do engenheiro Flávio Rodrigues, Alejandro voltou para a penitenciária, nesta terça-feira (17) acusado tão somente de “omissão de socorro”, após decisão da juíza Ana Paula de Medeiros Braga. A defesa já entrou com um novo recurso no Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

Um dos laudos periciais mais esperados do denominado “Caso Flávio” foi o teste de DNA do sangue encontrado dentro e fora da residência de Alejandro. Comprovando o que disseram as testemunhas, de que não houve nenhum desentendimento entre Flávio e Alejandro, assim como que o engenheiro não foi morto dentro da casa, o teste de DNA mostrou apenas o sangue de Alejandro tanto no ambiente interno como externo da residência, comprovando ainda as agressões sofridas por Alejandro que levou duas coronhadas na cabeça.

Se as amostras de sangue encontradas perto da mesa, no chão e na divisória da cozinha fossem do engenheiro confirmaria a versão de que ele teria sido morto na casa. Entretanto, o resultado final apontou que o sangue de fato, era de Alejandro. A localização do sangue também condiz com a coronhada

Conforme o exame, o sangue encontrado na cadeira, no rodapé do balcão da cozinha e nas proximidades do balcão pertencem unicamente a Alejandro Molina.

Trecho do resultado do DNA (clique para zoom)

Embora o resultado tenha sido de extrema importância, ele foi estranhamente omitido nas conclusões apresentadas pela polícia. Os investigadores alegaram apenas que “a falta de isolamento e preservação do local” interferiram no trabalho da perícia “quanto a dinâmica do evento”.

Ao longo do processo, em outro momento, a própria Justiça afirmou que o Flávio foi morto fora do condomínio. Ao prestar informações para o desembargador José Hamilton Saraiva – magistrado responsável por julgar, o então Habeas Corpus de Alejandro – a juíza da Central de Inquéritos, Lina Marie Cabral, confirmou que Alejandro foi agredido com coronhadas pelo policial Elizeu da Paz e que Flávio foi retirado com vida do condomínio.

As informações se basearam nas investigações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Informações prestadas pela Central do Inquérito à época (clique para zoom)

Elizeu da Paz e Mayc Vinícius Teixeira Parede – que confessou autoria do crime – são réus no caso. Sem provas ou declarações que apontem Alejandro como autor da morte de Flávio, ele foi indiciado por omissão, quando o agente é responsabilizado por ter deixado de agir e evitar o resultado.

Esse caso tem visíveis sinais de interesses políticos. É só ver que enquanto o processo estava em sigilo de Justiça, a opinião pública era torpedeada com dezenas de notícias falsas, as chamadas fake news, apontando sem qualquer prova Alejandro Valeiko como autor o crime. Só que agora o processo não está mais sob sigilo e qualquer pessoa pode ver o teor do processo e constatar que aquilo que está escrito no autos nada tem a ver com muitas notícias divulgadas constantemente em certos veículos da imprensa local.

Para especialistas, o desdobramento do caso e a repercussão possui fins políticos. Desgastar a imagem do prefeito Arthur Neto seria favorável para seus adversários no pleito de 2022, no qual haverá apenas uma única vaga para o Senado.