Após 137 investigações abertas, Janot deixa PGR; Dodge assume amanhã

Após quatro anos, chega a fim neste domingo (17) o mandato de Rodrigo Janot à frente da Procuradoria Geral da República (PGR). Nesta segunda-feira (18), toma posse no cargo Raquel Dodge.

A gestão de Janot no comando do Ministério Público Federal foi marcada pela maior investigação já realizada pelo órgão contra a corrupção.

Sob a condução de Janot, e uma equipe de 10 investigadores, o andamento da Operação Lava Jato na PGR levou à abertura de 137 investigações – atualmente em andamento – no Supremo Tribunal Federal (STF), cujos alvos são:

  • o presidente Michel Temer;
  • 4 ex-presidentes;
  • 93 parlamentares (63 deputados federais e 30 senadores);
  • 6 ministros do governo Temer;
  • 2 ministros do Tribunal de Contas da União (TCU).

Também são investigadas no Supremo mais de uma centena de pessoas sem o chamado foro privilegiado – como lobistas, doleiros, ex-diretores de estatais e políticos sem mandato envolvidos com as autoridades suspeitas.

Êxitos

Desde o início das investigações, Janot também obteve vitórias no Supremo que lhe possibilitaram aprofundar o trabalho de combate ao crime. Uma das primeiras foi a confirmação, em maio de 2015, pelo plenário do Supremo, do poder do Ministério Público para conduzir investigações.

Embora, na prática, procuradores já apurassem crimes, várias instâncias judiciais anulavam provas por entenderem que só a polícia podia tocar os inquéritos.

Janot também saiu vitorioso no julgamento que validou, em agosto de 2015, a delação premiada do doleiro Alberto Youssef, um dos primeiros a citar políticos no escândalo da Petrobras. Na decisão, o STF rejeitou o argumento de que personalidade “desajustada” do delator coloca em risco a validade do acordo.

Em outubro do mesmo ano, pela primeira vez na história, a PGR conseguiu extraditar um foragido com dupla cidadania. Condenado em 2012 no mensalão, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolatofugiu para a Itália em novembro de 2013 para escapar da prisão decretada pelo STF.

O processo de transferência ao Brasil durou quase dois anos, após várias reviravoltas na Justiça italiana.

Fonte:  G1