Após constatar falta de equipamentos para exames, Defensoria vai à Justiça contra Estado

Após uma visita, na manhã desta quinta-feira ao Hospital e Pronto Socorro João Lúcio Machado, na Zona Leste de Manaus, a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) vai entrar com ações na Justiça a fim de exigir que a Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (Susam) garanta a realização de exames de ressonância, tomografia, arteriografia ou procedimentos de hemodinâmica ou pelo menos assegure o deslocamento dos pacientes para outras unidades de saúde afim de realizá-los.

O defensor público Arlindo Gonçalves da Defensoria Pública Especializada na Promoção e Defesa dos Direitos da Saúde vai acionar à Justiça para garantir os direitos dos usuários dos serviços de saúde pública. Ele esteve no João Lúcio acompanhado do deputado estadual Luiz Castro. O parlamentar recebeu várias denúncias a respeito do mau funcionamento da unidade.

Numa das enfermarias, eles identificaram pacientes há dois meses internados na expectativa de fazer uma arteriografia, exame que possibilita a visualização das artérias para verificação de problemas e definição de cirurgia, como Tereza Freitas Penha, 50. “Esse exame só está sendo feito no Hospital Francisca Mendes, mas passam os dias e ficamos por aqui”, disse a paciente, que não suporta mais viver na enfermaria do hospital.

Outro paciente que já tem sequelas dos efeitos do diabetes, Amarildo Alves de Souza, 58, fica cada vez mais desesperado por já ver a mutilação dos dedos do pé esquerdo acontecerem no pé direito e não definem a data para os exames de ressonância.

A idosa Waldemarina Lima Cabral, 79, foi vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e necessita fazer uma tomografia para que os médicos saibam a extensão do dano causado, mas não há como transportá-la pela falta de um veículo preparado com Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela está há oito dias no hospital e a família não sabe a quem recorrer.

Nessa espera de uma tomografia há oito dias está também Janine Marques Figueiredo, 25, com lesão no pâncreas. “Quanto mais tempo passa, menos chance ela tem e a direção do hospital não nos diz nada”, disse um parente da moça.

Em conversa com médicos e enfermeiras e o diretor do hospital, médico Edson Ramos, o defensor Arlindo Gonçalves e o deputado Luiz Castro ouviram justificativas para o não funcionamento dos equipamentos de ressonância, tomografia e até de raio-x e o limite para encaminhar pacientes para outras unidades como Hospital Francisca Mendes e Delphina Abdel Aziz para exames, principalmente por haver protocolos que definem prioridades a esse respeito, atendendo-se pacientes em estados mais graves.

Há ainda um número insuficiente de enfermeiras e atendentes para dar conta da demanda de pacientes.

Edson Ramos apontou ainda problemas na oscilação da rede elétrica para a queima dos equipamentos e justificou a demora no reparo com as especificidades das máquinas.

O defensor Arlindo Gonçalves acredita que só com a intervenção da justiça será possível fazer com que o setor de saúde do Estado ofereça atendimento e serviços adequados à população naquela unidade de saúde, que já foi referência para o setor, mas agora encontra-se em situação de abandono.

Na própria unidade de saúde, o defensor ofereceu aos pacientes, inclusive aos internados na UTI, atendimento para ajuizar ações pela Defensoria Pública. Segundo Arlindo Gonçalves, é necessária uma atuação coletiva para ampliar a oferta destes serviços, porém as demandas individuais, por serem urgentes, serão judicializadas de imediato.