Após denúncias do sofrimento de pacientes entubados sem sedação em Parintins, MPAM abre investigação (ver vídeo)

Os pacientes com Covid-19 que estão entubados no Hospital Municipal Jofre Cohen, no município de Parintins (a 370 km de Manaus) precisaram ser amarrados nas próprias macas devido a falta de sedativos. A cena desumana foi denunciada em um vídeo que foi veiculado nas redes sociais no último fim de semana (veja vídeo no final da matéria). O Ministério Público do Amazonas (MPAM) por esse motivo abriu uma investigação para investigar o fato.

“Todos contidos porque a sedação está zerada. Nós estamos sem sedação”, disse a mulher que gravou as imagens.  Sem o sedativo, os pacientes que estariam em coma induzido acordam e logo sentem desconforto com tubo inserido na garganta que leva o oxigênio aos pulmões, devido a isto, os pacientes sentem vontade de retirar o tubo, para evitar que isto ocorra, a única solução que a equipe médica do unidade hospitalar teve foi amarrar os pacientes.

De acordo com a presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, diante da situação de não ter sedativos, o procedimento de amarrar o paciente não está errado e explicou o que pode acontecer quando acaba o efeito da sedação.

“A primeira coisa que pode acontecer é uma auto-extubação. Ele tira o tubo e isso pode levar, inclusive, a uma parada cardíaca. É desumano a gente pensar em uma pessoa que vai ser mantida em uma ventilação mecânica, em uma ventilação artificial, sem estar sob analgesia e uma boa sedação. Porque ela vai sentir desconforto, ela vai sentir ansiedade, ela vai sentir medo. E tudo isso vai levar a consequências muito graves mesmo que não na hora, no futuro. Pode levar a várias consequências traumáticas para essa pessoa”, explica Suzana Lobo, presidente da Associação Brasileira de Medicina Intensiva.

Investigação do MP 

A 2ª Promotoria de Justiça de Parintins começou a ouvir autoridades de saúde do município Para apurar o caso, o promotor de Justiça Marcelo Barros registrou uma notícia de fato, procedimento que dá início às investigações do MP.

Ainda na tarde dessa terça-feira (23), a promotoria reuniu com profissionais da área de saúde, gestores do hospital e representantes da secretaria de saúde local.

O MP ouviu os profissionais, mas deu o prazo de 24 horas para que as informações sejam enviadas por escrito para que seja avaliada qual medida a ser tomada em seguida.

Falta de sedativo preocupa

Antes da pandemia os hospitais do Amazonas consumiam 800 ampolas por mês de um dos medicamentos usados para sedação, com a nova explosão de casos de Covid-19, o número subiu para 2.800 ampolas em dezembro, depois esse número saltou para 50 mil em janeiro, quando estado viveu o momento mais crítico da pandemia.

Atualmente o estado consome mais da metade do produto comercializado no Brasil e já existe receio pela falta do produto por causa da pandemia. De acordo com o diretor da Central de Medicamentos do Amazonas, Cláudio Nogueira, o Estado fez a compra dos sedativos, no entanto, a produção nacional já é uma preocupação.

“Porque se repetir em outros estados o que aconteceu aqui no Estado do Amazonas, nós podemos ter um desabastecimento Nacional se a Indústria Farmacêutica não aumentar sua produção”, disse.

 Resposta da Secretaria de Parintins

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Parintins, informou que mesmo com o estoque crítico de sedativos, em momento algum os pacientes ficaram sem a sedação necessária para mantê-los em ventilação mecânica. A pasta explicou ainda, que em relação aos pacientes “amarrados” nas macas, a contenção dos mesmos é necessária para mantê-los em segurança, ao iniciar a diminuição dos sedativos.

Confira a nota na íntegra 

A Secretaria Municipal de Saúde de Parintins esclarece que não houve falta de medicamentos sedativos em pacientes intubados no Hospital Municipal Jofre Cohen, referência no tratamento de Covid-19.

Mesmo com o estoque crítico de bloqueadores neuromusculares no sábado, como informado ao Governo do Estado, em momento algum os pacientes ficaram sem a sedação necessária para mantê-los em ventilação mecânica.

Quanto à denúncia sobre pacientes “amarrados” nas macas, a contenção dos mesmos é necessária para mantê-los em segurança, ao iniciar a diminuição dos sedativos, como no processo de extubação, evitando acidentes com os mesmos em uma movimentação brusca ou qualquer agitação que possa ocorrer após um longo período intubado.

A Secretaria informa também que há um número crescente de pacientes em estado grave, com necessidade de remoção a Manaus para tratamento de alta complexidade e que aguarda a transferência realizada pelo Governo do Estado do Amazonas.

Veja a Notícia de Fato na íntegra