Após horas de discussão e bate boca, Aleam encerra reunião sem definição sobre comissão de impeachment de Wilson Lima e Carlos Almeida

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Após quase cinco horas de discussões e bate boca – a maior parte deles entre o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), Josué Neto (PRTB), a vice-presidente da Casa, Alessandra Campelo (MDB), e a líder do Governo, Joana Darc (PL) – a sessão da Aleam que definiria os membros da comissão responsável por analisar o pedido de impeachment do governador Wilson Lima (PSC) e do vice-governador Carlos Almeida (PTB), nesta terça-feira (12), foi encerrada sem uma definição.

Com a falta de consenso e os ânimos à flor da pele, a formação da comissão foi adiada para esta quarta-feira (13).

O fato gerador de toda discussão é que parte dos parlamentares do Legislativo estadual sustentam que o presidente da Assembleia, Josué Neto, não poderia continuar conduzindo o processo de impeachment do governador e do vice-governador já que está na linha sucessória dos cargos. Ou seja, caso o impeachment seja aprovado, Josué Neto assumiria o comando do Poder Executivo.

“Há um requerimento em tramitação que suscita a possibilidade de impedimento de vossa excelência em fazer o recebimento, tornando inclusive nula (a formação da comissão). E isso inviabiliza, inclusive, a tramitação e a leitura desse expediente. O plenário tem que decidir se cabe ou não o que foi arguido”, argumentou a vice-presidente da Casa, deputada Alessandra Campêlo.

O requerimento citado por Alessandra Campêlo é de autoria do deputado Saullo Viana (PTB) e já conta, segundo os deputados, com a assinatura de outros 13 parlamentares.

Além do requerimento, o deputado Dr. Gomes (PSC) informou que ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) para que o Poder Judiciário se manifeste a respeito da condução adequada do processo de impeachment.

Justificativa em vão

Josué Neto ainda tentou justificar a condução do processo afirmando que não seria ele o responsável por julgar o governador e o vice, mas sim a Comissão que seria instaurada. Mas, os deputados não concordaram e uma nova discussão se iniciou.

“Não há julgamento da minha parte, não estou julgando o governador. O julgamento se dará na fase quando a comissão for instaurada e eu não participarei. Já falei da questão da impessoalidade e da imparcialidade, portanto, não vou julgar o governador nem o vice. Os deputados é quem vão formar essa comissão”, tentou justificar o presidente da Casa, Josué Neto.

Além da vice-presidente da Casa, Alessandra Campêlo (MDB), entre os deputados contrários ao posicionamento de Josué Neto estavam Joana Darc (PL), Carlinhos Bessa (PV), Saullo Vianna (PTB) e Belarmino Lins (PP) – todos da base aliada ao Governo do Estado.