Após morte de bebê, Susam abre sindicância para apurar conduta de enfermeiros da Manaós

Com uma série de denúncias registradas contra os profissionais da empresa Manaós Serviços de Saúde Ltda – vencedora de licitação mesmo sem possuir enfermeiros titulados, como determina o Ministério da Saúde, para atuarem nas 39 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Estado –  a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que abriu sindicância para apurar as situações relatadas nas UTIs do Instituto de Saúde da Criança do Amazonas (Icam) e do Hospital Infantil Dr. Fajardo.

Um desses casos trata de lesões detectadas pela equipe médica em membro superior de um paciente de seis meses internado na UTI do Icam. O paciente morreu na manhã dessa quarta-feira (26), por infecção generalizada decorrente da complicação de seu quadro clínico, que era gravíssimo, desde sua admissão em agosto do ano passado.

A direção do instituto, afirma que “todos os esforços foram empregados no tratamento do paciente enquanto este esteve internado no hospital e não  há como fazer relação entre a causa da morte e o fato anterior”.

Segundo a Susam, a criança estava internada na unidade desde 30 de agosto de 2019 em recuperação de um quadro de prematuridade associada à Gastrosquise (má formação congênita em que o intestino se forma do lado de fora do abdômen).

Ao dar entrada no Icam, a criança passou por cirurgia para correção da má formação. Porém, no pós-operatório, devido à gravidade da doença, evoluiu para um quadro de desnutrição grave e infecção de repetição, dependendo de ventilação mecânica, nutrição parenteral e cuidados intensivos, não resistindo apesar de todos os esforços empregados em sua recuperação.

A Susam disse também lamentar o falecimento da criança e informa que está prestando assistência psicossocial à família.

Suspensão

Em outubro do ano passado, a Susam cancelou o pregão 1015/2018, justamente pelo fato da Manaós não possuir enfermeiros capacitados para atuar em UTI’s, mas a empresa acabou assumindo o contrato. Isso porque a Secretaria alegou cumprir uma liminar do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), assinada pelo desembargador João de Jesus Abdala Simões, que determinou que ela assumisse os serviços nas unidades de saúde.

O Radar chegou a questionar a Susam sobre os motivos para não ter recorrido da decisão liminar do desembargador, mas não recebeu nenhuma linha sequer de explicação da assessoria de imprensa. Na ocasião, a Secretaria se restringiu a enviar o cronograma de substituição dos enfermeiros, que foi suspenso temporariamente no último dia 18.

Segundo a Susam, por serem unidades eletivas e com número reduzido de UTIS, o Icam e o Hospital Dr. Fajardo foram as primeiras unidades a receber o processo de transição, iniciado no dia 11 de fevereiro, justamente para que pudesse haver o monitoramento.

No entanto, já partir do dia  14, a Secretaria de Atenção Especializada da Capital (SEA Capital) recebeu relatórios de situações adversas que demonstram inabilidade técnica ocorridas nos plantões das UTIs das duas primeiras unidades, todas registradas nos livros de ocorrência, tais como: dificuldade de realização de controle hídrico, acesso intravenoso com excessivas tentativas e insucesso, dificuldades de montagem de circuitos de ventiladores mecânicos, aspiração orotraqueal. Foi feita notificação extrajudicial à empresa com prazo de 48 horas para manifestação.

Já no dia 17, foi aberto processo administrativo e sindicância para que os fatos pudessem ser apurados e a empresa foi notificada da suspensão da continuidade do processo de substituição nas demais unidades. A Susam informa que o Ieti continua a prestar os serviços nas 13 unidades até novas medidas administrativas com base nos resultados da sindicância já instaurada.

Com informações da assessoria de imprensa