Após MPAM dar parecer favorável para soltura de PM que assassinou mulher trans, família se mobiliza para pedir Justiça

A defesa do Policial Militar, Jeremias Costa da Silva, preso em fevereiro deste ano acusado de assassinar a tiros a mulher transexual, Manuela Otto, recorreu da decisão e está pedindo a soltura do militar. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) acatou o pedido da defesa e deu parecer favorável para soltura do PM. Assim que soube da informação, a família da vítima se mobilizou para tentar impedir que o policial seja solto.

Às 18h deste sábado (5), amigos e familiares da vítima farão para uma live no perfil @dluccas para mobilizar a sociedade em relação ao pedido de soltura.

O MPAM acatou o pedido da defesa para conversão da prisão preventiva em medidas cautelares, entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica,  a restrição de circulação em determinados ambientes. Após acatar o pedido, o órgão encaminhou o parecer favorável para a Justiça do Amazonas. Agora a Justiça deve analisar se o policial militar deve ficar preso ou não.

A advogada da família da vítima, Katri Florêncio, explica que já se manifestou nos autos contra o pedido de soltura. “O crime em questão é de extrema gravidade, pois foi contra uma mulher transexual. Não é razoável permitir que o acusado seja souto e tenha liberdade para andar nas ruas apenas três meses após o crime”, disse a advogada.

Em entrevista ao Radar, a mãe da vítima, Hilma Souza, contou que ficou muito triste em saber que o PM pode ser solto.

“Eu fiquei triste com essa notícia, porque a polícia civil foi muito empenhada em prender e provar que foi ele mesmo que foi o autor do homicídio e o ministério público vem e acata esse pedido da defesa, então é com muita tristeza que eu recebo essa notícia”, disse.

Entenda o caso 

O policial militar Jeremias e a atriz e professora Manuela entraram no motel “Minha Pousada”, localizado na avenida Sumaúma, bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte, por volta das 0h56 de sábado.

Às 1h17, funcionários e clientes ouviram barulho de tiro que vinha da suíte onde os dois estavam. Às 1h34, Jeremias tentou fugir do local, mas os funcionários, ao ouvirem os tiros trancaram as portas do estabelecimento. Depois de ameaçar a funcionária do hotel com uma arma e não conseguir fugir, o cabo entrou no carro e derrubou o portão e fugiu do local.

No dia 19 de fevereiro deste ano, o policial militar foi preso pelos agentes da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).