Após ser expulso por Mirtes Salles de sede provisória, Conselho de Mulheres de Iranduba realiza atendimentos na rua

Conselho atende mais de 450 pessoas por mês e está com seu funcionamento comprometido

Após serem expulsos de uma sede provisória que havia sido disponibilizada pela ex-secretária de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC), Carol Braz, os membros do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Iranduba (CMDMI) estão tendo que realizar atendimentos em praças públicas, expostos ao sol e chuva. Em agosto deste ano, eles foram despejados do Pronto de Atendimento ao Cidadão (PAC) do município pela atual gestora do órgão, a ex-vereadora Mirtes Salles (PL).

Mesmo após a repercussão do caso, que chegou a ser denunciado por deputados na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o Conselho de Mulheres continua sem ter uma sede fixa.

Ao Radar Amazônico, a presidente do CMDMI, Francinete Maia, informou que nem a SEJUSC e nem a Secretaria de Assistência Social de Iranduba deram suporte ao conselho. Ela também destaca que a Câmara Municipal de Iranduba (CMI) também não deu apoio à causa.

Total silêncio por parte das autoridades municipais. Apenas o vereador Luis Carlos Velho demonstrou interesse em nos ajudar“, disse.

Sensibilizados com a situação do Conselho de Mulheres de Iranduba, ativistas dos direitos das mulheres, servidores públicos e diversas autoridades moveram uma corrente de apoio. Entre os apoiadores está a delegada de polícia, Débora Mafra, que ressalta a relevância da entidade para a sociedade.

Veja o que disse a delegada no vídeo:

A reportagem entrou em contato com a assessoria da SEJUSC e com a titular da pasta, Mirtes Salles, inúmeras vezes, para questionar a motivação do despejo e para saber quais medidas serão tomadas para dar suporte ao conselho. Até a publicação desta matéria não houve resposta. A Prefeitura de Iranduba também não se manifestou sobre o caso.

O CMDMI 

O Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Iranduba existe há mais de um ano e meio. Ele possui 18 membros e atende aproximadamente 450 pessoas por mês. Entre as atividades desenvolvidas está a viabilização do acesso a programas sociais do governo. Além disso, o conselho também atende mulheres vítimas de violência, fornece assistência para Pessoas com deficiência (PCD), indígenas, negras, obesas, soro positivo, gestantes, idosos e público LGBTQIA+.

O CMDMI também trabalha as políticas públicas voltadas às mulheres, através de palestras, oficinas, cursos de empreendedorismo, artesanato e outros. Além disso, o conselho realiza ações itinerantes em bairros e comunidades com pessoas em situação de vulnerabilidade social.