Após serem acusados de disseminar a Covid-19, professores divulgam nota de repúdio contra diretora da FVS-AM

O Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus, a Asprom Sindical, publicou uma nota de repúdio neste sábado (12) após a classe de educadores ter sido acusada de disseminar o novo coronavírus pela diretora presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Rosemary Pinto, em uma matéria publicada pelo portal da fundação. (Confira a nota no fim da matéria)

De acordo com o sindicato, que vem coordenando a greve desde o retorno das atividades presenciais em agosto deste ano, a declaração “tem clara intenção de buscar inflar a opinião pública contra os professores”.

A matéria, publicada na última quarta-feira (9), também classifica os profissionais da educação como ‘irresponsáveis’. Em resposta, a Asprom deixa claro que a irresponsabilidade parte exatamente de quem ataca os professores, no caso a direora da FVS. A Asprom ressalta que o aumento de número de casos da Covid-19 desde o retorno das aulas presenciais foi causado justamente pela diretora, que junto com o governador Wilson Lima, não escutou as recomendações dos professores sobre o perigo da retomada das atividades presenciais nas escolas da rede estadual de ensino e não considerou necessária a realização da testagem em massa dos profissionais- aderindo à medida somente meses depois quando centenas de casos da doença tinham sido identificados. 

Nesse sentido, o sindicato expressa sua indignação contra as acusações através da nota compartilhada publicamente, e aponta que foi graças ao aval da servidora à decisão do governador, que a Secretaria de Educação do Amazonas (Seduc) teve respaldo para iniciar a retomada das aulas presenciais, expondo ao perigo a vida de milhares de estudantes e professores.

A Asprom também revela que o retorno das atividades presenciais foi feito sem o devido planejamento  e que a Seduc não ouviu as recomendações dos professores uma vez sequer e se recusou a dialogar. “A Seduc acatou as orientações da Sra Rosemary sem ouvir a categoria que segue supliando e lutando pra ser ouvida”, reclama a Asprom.

Os professores tornam público que até na realização do ensino virtual tiveram que dar o jeito deles porque a Seduc não deu condições para o chamado ensino à distância. “Nós tiramos dinheiro do nosso próprio bolso para adquirirmos os equipamentos tecnológicos para trabalharmos, não tivemos orientações pedagógicas adequadas, a não ser um calendário semanal com os temas das aulas que iam ao ar e nós nos esforçamos para oferecer o melhpr para nossos alunos, mesmo sem auxílio nenhum da Secretaria de Educação “, revela o sindicato.

Por fim, o documento que representa a classe trabalhadora da educação cobra respeito com a categoria.

“Pelo menos mostre um pouco de consideração por todos aqueles que ao longo de suas vidas contribuíram com sua formação, pois se a senhora não tivesse ido a uma escola e aprendido com as lições de vários professores, não teria chegado onde está”.

Desde o retorno das aulas presenciais, mais de 900 professores já foram contaminados pelo novo coronavírus e desenvolveram a Covid-19, conforme informações da Asprom Sindical. A classe de educadores segue tentando dialogar com o poder executivo, mas é ignorada.

Nota de esclarecimento

Em vista a decisão do Tribunal de Justiça na última quinta-feira (10), que classificou a greve do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) como ilegal e determinou sua suspensão, a Asprom informou, através de nota de esclarecimento, que não foi atingida pela decisão e até o momento não foi alvo de questionamentos judiciais pela Seduc ou Governo.

Confira a nota de repúdio e de esclarecimento na íntegra