Após um ano de imunização contra covid-19 no Amazonas, estado ocupa o 5º lugar no ranking de não vacinados

A técnica de enfermagem indígena Vanda Ortega foi a primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 no Amazonas

Vacinação contra covid — Vacina AstraZeneca — Centro de Saúde n°13, 23/07/2021 — Fotos: Myke Sena/MS

A campanha de vacinação contra a Covid-19 no Amazonas completou um ano nessa terça-feira (18). Mesmo o estado iniciando a sua vacinação um dia após a vacinação nacional, o Amazonas ocupa a triste marca do 5º lugar no ranking de estados com pessoas não vacinadas. Assim, segundo o Consórcio Nacional de Imprensa, o estado está na 22ª colocação do país, com apenas 53,8% da população que já recebeu as duas doses da vacina e estão completamente imunizadas da doença.

“Havia tanta notícia ruim sendo falada acerca da vacina, e isso me preocupou um pouco. O fato de ser a primeira indígena vacinada me levou a pensar que se acontecesse alguma coisa comigo, nenhum dos meus parentes iria querer tomar a vacina”. Esta é uma fala da indígena Vanda Ortega, que foi a primeira pessoa a receber o imunizante no Amazonas. Na época, sua comunidade recebia inúmeras fake news em relação aos efeitos colaterais causados pela vacinação, difundidas até mesmo pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

A técnica de enfermagem que trabalhou desde o início da pandemia para cuidar de centenas de famílias de sua comunidade, o Parque das Tribos, situado na zona Oeste de Manaus preferiu esquecer as fake news, dar o exemplo e demonstrar que era um dever de todos a vacinação e o respeito aos povos originários do Estado.

Atualmente

No dia em que completa um ano da vacinação no Estado, grande parte da população enfrenta uma aparente terceira onda da doença, decorrente da variante Ômicron.

Desta vez, o problema vem incorporado a uma série de síndromes gripais, que podem até ser comuns nesse período devido o inverno amazônico, mas que por conta do vírus Influenza A H3N2, um dos subtipos circulantes do vírus Influenza A, que adicionados ao vírus SARS-CoV-2, multiplicam os sintomas.

Os dois vírus produzem uma infecção batizada de ‘flurona’, afeta o trato respiratório causando tosse, coriza, espirros, dor de garganta, e muita indisposição aos pacientes que ao tentarem um diagnóstico fazem busca por testes nas unidades de saúde e não encontram, ou quando encontram precisam esperar por horas pelo atendimento, conforme flagrado pelo Radar Amazonico no Centro Municipal de Testagem, localizado no centro de convenções do Studio 5.

Diversas pessoas com suspeita de covid aguardavam em uma fila por mais de três horas, e muitas delas nem sequer conseguiram entrar na espera da triagem.

Dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) mostram que só no domingo (16) foram notificados 3.079 novos casos  e outros 2.674 registros nesta segunda (17). Deixando claro que ainda há riscos para todos, e que a vacinação precisa ser aplicada em toda a população, e que as medidas sanitárias devem ser mantidas mesmo por quem já tomou todas as doses indicadas.

Devido ao colapso no sistema de saúde por conta da falta de oxigênio nos hospitais o Amazonas ganhou atenção especial do Ministério da Saúde e foi contemplado no avanço na vacinação. O Estado recebeu, inclusive, doses extras de imunizante. Mesmo assim, o Amazonas continua sendo o 5º pior estado no que se refere ao número total de vacinados.