Após venda, GP da Itália será último da família Williams na equipe

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A Williams anunciou que o Grande Prêmio de Fórmula 1 da Itália a ser disputado neste final de semana será o último da família à frente da equipe criada por Frank Williams em 1977.

Com isso, encerra-se a história de 43 anos e 739 GPs de uma das equipes mais vitoriosas da categoria, embora o nome do time deva ser mantido. Este é o primeiro passo após a confirmação da venda da equipe, no mês passado, para um fundo de investimentos norte-americano, o Dorilton Capital.

“Com o futuro da equipe agora assegurado, este parece ser o momento adequado para nos afastarmos do esporte. Enquanto família, sempre demos prioridade à Williams. Demonstramos isso com as nossas últimas ações com o processo estratégico e acreditamos que, agora, é o momento certo para entregar as rédeas e dar aos novos donos a oportunidade de assumir a equipe”, disse Claire Williams, agora ex-chefe da equipe e filha do fundador Frank, que também se afasta do time.

“Estamos neste esporte há mais de quatro décadas”, lembrou Claire. “Temos muito orgulho da nossa história e do legado que deixamos para trás. Sempre o fizemos por amor, pelo puro prazer de fazer automobilismo, então esta não é uma decisão que tomamos levianamente, mas depois de muita reflexão e como uma família. Agradecemos muito o incentivo da Dorilton para continuarmos, mas sabemos que a equipe estará em boas mãos com eles e o nome Williams seguirá no grid”, disse.

“Este pode ser o fim de uma era para a Williams como uma equipe familiar, mas é o início de uma nova era para a Williams Racing, e desejamos a eles muito sucesso no futuro. Em nome de Frank e da família Williams, gostaria de dizer o quão incrivelmente gratos estamos pelo apoio que recebemos ao longo dos anos, seja dos nossos amigos no paddock, seja dos muitos fãs ao redor do mundo. Mas, principalmente, gostaríamos de agradecer a nossa equipe, pessoas que trabalharam na Williams no passado e no presente. Eles são os verdadeiros guerreiros desta equipe e fizeram dela o que é.”

Do lado da Dorilton Capital, empresa que se notabilizou por fazer investimentos de longo prazo e que conta com dirigentes admiradores do automobilismo, o presidente Matthew Savage, que agora também é presidente da Williams Grand Prix Engineering, disse respeitar a decisão de Claire e da família de se afastarem da equipe neste momento.

“A conquista de Claire em sustentar a herança, a relevância e o compromisso da Williams Racing com a inovação em um ambiente difícil desde que assumiu o comando em 2013 foi monumental. Ela também foi extremamente importante na formação de um ambiente técnico e financeiro mais nivelado para a F-1, o que ajudará a garantir o o retorno da equipe à frente do grid nas próximas temporadas. Estamos orgulhosos de levar o nome Williams para a próxima fase emocionante do esporte e agradecemos a Frank, Claire e a família Williams pela oportunidade de fazer parte desta grande marca britânica”, afirmou.

Apesar das dificuldades financeiras pelas quais a Williams passou nos últimos anos, especialmente depois que a patrocinadora RoKit deu calote no valor de mais de R$ 150 milhões neste ano, obrigando o time a mudar as cores do carro às vésperas do início da temporada, a venda foi lucrativa para a família Williams, que ficou com mais de um R$ 1 bilhão com o negócio.

Depois de nove títulos de equipes nos anos 1980 e 1990, a Williams vem enfrentando um momento complicado em sua história, tendo amargado a última colocação nos dois últimos campeonatos. Embora o rendimento do carro tenha melhorado em 2020, o time ainda não pontuou nas sete primeiras corridas da temporada.