Arrecadação recua em junho, mas bate recorde no primeiro semestre

Arrecadação governo

A arrecadação do governo – que inclui impostos, contribuições federais e demais receitas, como os royalties – recuou 1% em termos reais em junho deste ano, mas em julho, já somou R$ 85,6 bilhões, representando um novo recorde de receita no primeiro semestre desse ano, segundo números divulgados pela Secretaria da Receita Federal, nesta segunda-feira (22). O resultado também ficou distante do recorde histórico para este mês, que foi registrado em 2010 (R$ 92,6 bilhões).

A queda da arrecadação federal em junho acontece após os números terem mostrado uma recuperação em maio deste ano, quando as receitas avançaram 5,8%. No decorrer deste ano, a arrecadação tem mostrado um comportamento errático. Registrou queda real em três meses (fevereiro, março e junho) e crescimento no resto do período.

Segundo o coordenador de Previsão e Análise da Receita Federal, Raimundo Eloi de Carvalho, a queda real da arrecadação em junho deste ano está relacionada, além das desonerações tributárias, com um recuo de R$ 2,3 bilhões na arrecadação do IR sobre rendimentos de capital – recolhido em junho, relativo ao primeiro semestre, sobre aplicações financeiras, como fundos de renda fixa. “Isso aconteceu por conta da redução dos rendimentos em função da queda dos juros. Tem um peso significativo”, declarou ele.

Acumulado do ano é recorde

Segundo números da Receita Federal, a ausência de uma tendência clara de alta na arrecadação não impediu a obtenção de um novo recorde de receitas no primeiro semestre deste ano.

No período, o governo arrecadou R$ 543,98 bilhões, o que representa uma alta muito pequena (+0,49%) sobre igual período do ano passado. O resultado do primeiro semestre de 2010 (R$ 527 bilhões) também foi superado.

Em termos nominais, a arrecadação cresceu R$ 35,43 bilhões de janeiro a junho deste ano, ou seja, sem a correção, pela inflação, dos valores arrecadados em igual período do ano passado. Deste modo, esse crescimento foi contabilizado com base no que efetivamente ingressou nos cofres da União.

Segundo números oficiais, a alta real da arrecadação neste ano, e o atingimento de um novo recorde, está relacionado, porém, com a arrecadação extraordinária de R$ 4 bilhões do PIS, Cofins, do IRPJ e da CSLL em decorrência de depósitos judiciais e venda de participação societária. Sem estas operações, a arrecadação teria registrado queda no acumulado de 2013.

De acordo com a Receita Federal, o fraco comportamento da arrecadação neste ano, que teve alta real somente por conta de fatores extraordinários, está relacionado com as desonerações de tributos – que já somam R$ 35 bilhões no primeiro semestre.