Artistas e celebridades viram cabos eleitorais de luxo de presidenciáveis

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Diante de uma plateia lotada no Rio, Gilberto Gil apresenta a sua composição mais recente: “Marinar vou eu, votar na Marina, Marinaaar”, entoa no microfone. Na TV, o ex-jogador Ronaldo deixa o merchandising de lado e declara o apoio a Aécio: “Ele tem caráter, porque ele é honesto e, principalmente, porque a mudança é segura”. Em um evento no Rio, a cantora Alcione, apoiadora de Dilma, pede “continuidade”: “Ela precisa de mais quatro anos para consolidar tudo aquilo que vem fazendo”.

Se a contribuição de celebridades já vinha aparecendo na campanha eleitoral por meio de elogios e mensagens nas redes sociais, a adesão se intensificou nesta semana, quando os três candidatos que ocupam os primeiros lugares na pesquisas levaram as personalidades que os apoiam para a televisão.

A nova música de Gil vai virar jingle na campanha de Marina Silva (PSB). No horário eleitoral de Aécio Neves (PSDB), há um desfile de famosos: de duplas sertanejas a personalidades do esporte. A candidatura de Dilma Rousseff, que disputa a reeleição pelo PT, ganhou o aval de artistas e intelectuais em um manifesto com mais de 60 assinaturas.

Embora as campanhas não revelem a estratégia até o fim das eleições, a tática de usar cabos eleitorais de luxo será mantida.

Coordenador da campanha de Aécio, o senador José Agripino (DEM-RN) destaca o peso desses depoimentos na opinião pública. “São personalidades com uma biografia a zelar e que emprestam seu prestígio e notoriedade para algo em que acreditam.”

Responsável pelas mídias sociais da campanha petista, Alberto Cantalice, vice-presidente do partido, também comemora a mobilização de formadores de opinião em favor de Dilma. Para ele, “dá mais força” à candidatura. “Vários gravaram depoimentos, que têm sido incluídos no horário eleitoral, assim como nas redes sociais”, diz.

Espaço na agenda

Para prestigiar o setor artístico e apresentar propostas para esse segmento, os três candidatos têm reservado espaço na agenda para se reunir com celebridades.

Em um teatro no Rio de Janeiro, Dilma, ao lado do seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu na última segunda-feira (15) diversos artistas, como as cantoras Alcione, Beth Carvalho e Elza Soares, além dos atores Camila Pitanga e Henri Castelli.

Na ocasião, a exemplo do que já acontecera na campanha de 2010, foi divulgado um manifesto assinado por algumas dezenas de músicos, atores e intelectuais. Dilma, por sua vez, retribuiu e prometeu repasse de parte do dinheiro dos recursos do Pré-Sal para a cultura, sem, porém, deixar claro o percentual que destinaria.

No mesmo dia, em São Paulo, Marina se encontrou com vários dos considerados formadores de opinião, incluindo o cineasta Fernando Meirelles, convidado para gravar programas eleitorais da campanha do PSB, e o cantor Dinho Ouro Preto, da banda Capital Inicial.

Na quarta-feira (17), desta vez no Rio, a candidata do PSB compareceu a um ato, mediado pelo ator Marcos Palmeira, com celebridades e representantes do meio cultural, entre os quais os atores Marco Nanini e Otávio Müller e o ex-baterista do Titãs Charles Gavin. Outro músico que apoia Marina é Caetano Veloso, que já apareceu pedindo votos para a ex-senadora na TV e no rádio.

Aécio também tem explorado o respaldo de famosos à sua candidatura. Em seus programas eleitorais na TV, cantores de vários estilos se revezam cantando o seu jingle, como Chitãozinho e Xororó, Wanessa e Zezé de Camargo e sambistas da Velha Guarda da Mangueira.

O compositor Renato Teixeira, conhecido por ter escrito músicas como “Romaria”, eternizada na voz de Elis Regina, e “Tocando em frente”, foi um dos que deram depoimento no programa eleitoral do ex-governador de Minas Gerais.

O tucano participou ainda de uma partida de futebol organizada pelo ex-craque Zico, que contou na escalação com o cantor Raimundo Fagner, o ex-jogador de vôlei Giovane Gávio e os atores Mauro Mendonça, Marcelo Madureira, Eri Johnson e Márcio Garcia. Ex-jogadores que marcaram época com a camisa da seleção brasileira, como os campeões do mundo Dadá Maravilha, Wilson Piazza e Bebeto, também entraram em campo.

Acostumados a cachês polpudos, todos esses nomes abriram mão de dinheiro e têm apoiado seus candidatos de forma espontânea, garantem as assessorias dos candidatos.