As “bolas fora” e jogadas nada legais do decano Belão!

Depois dizem que mulher é que não entende nada de jogo, nem da política e nem do futebol. Ledo engano de certos espécimes do sexo oposto. Mulher entende do jogo da vida e, parafraseando os poetas que dizem que a vida imita a arte, digo que qualquer jogo, inclusive o da política – e o futebol também, meu povo! – imita a vida, vida esta bem decifrada aos olhos da maioria das mulheres. E, no jogo, seja ele qual for, não vale ataque por trás, “carrinho” nas duas pernas dos adversários, fazer corpo mole pra ganhar nas costas dos outros, se aliar ao adversário, vender resultado, estes tipos de jogadas nada legais.    

E foi assim que euzinha fiquei aqui vendo de camarote as jogadas erradas do decano Belarmino Lins (PP) – assim que ele gosta de ser chamado por causa de seus oito mandatos consecutivos  – para conseguir uma das cadeiras na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). A preferência era pela vaga de presidente da Casa mas, com as jogadas erradas, Belão se inviabilizou e passou a mirar na vice-presidência, cadeira que já ocupou também, mais de uma vez , nos mais de 20 anos em que não sai da Mesa Diretora do Poder Legislativo, lugar onde estrategicamente, na maioria das vezes, manda mais que o presidente da Casa.

Mas acontece que os 17 parlamentares, que estão unidos desde o começo desse “jogo” para a disputa da Mesa Diretora do Legislativo Estadual e que são parceiros do deputado Josué Neto (PSD), não querem ver Belão no “time” de jeito nenhum. O decano cometeu erros piores do que os de um jogador das categorias de base e deu espaço para o crescimento dos parlamentares de uma nova geração.

Belão, que sempre teve discurso governista, seja qual fosse o governador, passou a ter como “coordenadores” de sua campanha à presidência, dois personagens da campanha derrotada de Amazonino Mendes para a reeleição: o líder do ex-governador na Assembleia, o deputado Dermilson Chagas (PP) e o ex-presidente da Amazonastur, o empresário Orsine Oliveira Júnior, que se auto intitulava estrategista de Amazonino na disputa eleitoral contra Wilson Lima, agora governador.

Brincalhão – às vezes até demais! – e polido com os companheiros de Parlamento, Belão, desta vez, distribuiu pernada pra todo lado, com ataques nada legais. Ele atacou o adversário Josué Neto em publicações e notas em jornais, sites e blogs com quem tem parceria. Resolveu combinar resultado com os líderes partidários que fariam os deputados eleitos e reeleitos das respectivas siglas votarem nele na marra e ponto final – esqueceu que essa jogada é antiga e antipática.

Não escapou de sua ira nem a família, após seu sobrinho gravar um vídeo declarando voto a Josué Neto. Belão deixou que partissem pra cima até do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) – presidido por Yara Lins – com a acusação de que havia interferência  do órgão na eleição do Legislativo em benefício de Josué Neto que é filho de um dos conselheiros daquela Corte de Contas.

Belão resolveu entrar de sola, como se fosse zagueiro sem habilidade, pra cima de novos deputados, à exemplo de Wilker Barreto (PHS) e Carlinhos Bessa (PV) que foram alvo de postagens sugerindo problemas em contas públicas. No caso de Wilker, quando este foi presidente da Câmara Municipal de Manaus e no caso de Carlinhos Bessa, usaram Normando Bessa, prefeito de Tefé e irmão do recém-eleito deputado.

Belão decidiu até mesmo ir pra bola dividida com as mulheres do Parlamento e ainda com o pé alto – vê se pode meu povo!. Resolveu coagir sua colega de partido a votar nele, a Dra. Mayara Pinheiro, sob risco de expulsão por infidelidade partidária, coisa que nunca se viu nas disputas do Parlamento estadual. Bom lembrar, que essa foi uma jogada muito mal vista, já  que a médica campeã de votos no pleito de 2018 apoiou o irmão de Belão, Átila Lins, na campanha para federal em Coari. Além disso, Belão se indispôs com Alessandra Campêlo, boa articuladora e aliada de primeira hora de Josué no processo eleitoral, e Therezinha Ruiz, a experiente vereadora que tem trânsito e bom relacionamento em todas as hostes políticas; sem falar que a recém-eleita vereadora Joana D’arc se solidarizou com as colegas de Parlamento.

O resultado do jogo está que está se desenrolando, depois de tanta bola fora e laces nada legais, é uma daquelas goleadas que a gente nem gosta de se lembrar, né mesmo meu povo?