As lições da pandemia que eles não aprenderam

Vai parecer brincadeira, num primeiro momento, mas essa foi uma das frases mais profundas que já ouvi na vida. Disse-me outro dia um mano caboclo lá de Eirunepé que, coincidentemente, faz parte da minha família: “Nunca vi caixão ter gaveta e mortalha ter bolso”. Esse comentário foi feito em meio a uma conversa sobre a ânsia de certos homens de cada vez ganhar mais dinheiro, não importando se pra isso abrem mão de coisas essenciais pra que permaneçam vivos.

O mano caboclo tem toda razão. Pra quê tanto dinheiro Seu moço, se dessa vida não levamos nada? Será que esses caras não aprenderam nada, durante esse período de pandemia, tempos de isolamento social, propícios à reflexão do que realmente é importante nessa vida? Parece que num aprenderam não, mano!

Eles parecem não ter sentido a falta dos abraços e dos beijos que não podemos mais dar, nem da conversa e do riso que rolava solto nos encontros dos amigos e da família. Parece não ter importado se esse vírus da solidão nos proibiu de dançar, não nos permitiu mais cantar. Nos transformou em passarinhos engaiolados, sem ver o nascer do sol. E cadê que o dinheiro pôde comprar essas coisas, né mesmo Seu moço?

Afinal, beijos e abraços, papos e risos, amigos e família, é pra quem é amado, né mesmo? E ser amado por alguém – quem sabe por muitos alguéns – é o que faz com que possamos atravessar esse “deserto” porque, depois dele, tem alguém que nos espera para um abraço, mesmo que estejamos sem um centavo no bolso. Será que o senhor tem isso, Seu moço?

Ainda é tempo de aprender essa lição!