As pragas humanas que afligem o Amazonas

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Parece até que as “pragas do Egito” recaíram sobre o Amazonas porque todo dia é um mal diferente levando sofrimento para o povo. Mas, acredito piamente, que ao contrário da história bíblica das pragas, nenhum sofrimento tem a ver com desígnios de Deus, pragas que vêm do céu para punir os homens. O sofrimento do povo do Amazonas que parece nunca acabar é de total responsabilidade dos humanos, com sua incompetência, descaso, ausência de humanidade e falta de espírito público – sem contar com a roubalheira que a gente sabe que existe.

Como se não bastasse a Covid-19 que já causou a morte de mais de doze mil cidadãos do Amazonas, veio agora o sofrimento com a enchente dos rios do Amazonas para famílias que estão isoladas por causa do coronavírus e veem a água invadir suas casas.

Os problemas causados pela enchente são de conhecimento de todos os gestores públicos do Estado, sem exceção, mas os anos se passam e nenhum desses problemas são resolvidos. As péssimas condições de moradia e saneamento básico, por exemplo, ficam ainda mais visíveis no período da enchente, mas não se vê ações públicas para dar melhores condições de vida ao povo do Amazonas e há quem diga que isso é proposital, afinal em todo período de enchente dá pra decretar calamidade pública e fazer contratação de produtos e serviços sem licitação ou sem qualquer processo legal e nem preciso dizer que isso deixa escancarada a possibilidade de roubo do dinheiro público.

Mas as pragas que recaíram sobre o nosso povo não ficaram na Covid-19 e na enchente. A cidade de Manaus esta tomada por um surto de dengue e, segundo o presidente do sindicato dos Trabalhadores de Combate as Endemias no Amazonas (Sindagente), Lourival Pereira, aumentaram também os casos de doença de Chagas, Leishmaniose e malária.

Lourival mostrou que a população está desassistida para combater essas outras “pragas” porque há poucos agentes de endemia. Eram pra ser 978 agentes e endemia, segundo o próprio Ministério da Saúde, e são menos de quinhentos, e alguns já contraíram o coronavírus. Mais agentes de endemia já deveriam ter sido contratados e todos deveriam já estar vacinados pra poder fazer aquelas visitas domiciliares para identificar focos de mosquitos que também são vetores de transmissão da malária e da leishmaniose. Mas nada disso ainda foi feito pela Prefeitura de Manaus.

E, a cada dia, aumenta o sofrimento do povo do Amazonas que, além de todos os males, ainda tem que lidar com a “praga” maior, causa de todo nosso calvário, a péssima qualidade de homens públicos que insistem em não ver e nem ouvir as queixas do povo.