Às vésperas do 1º turno, Governo promove policiais, anuncia concurso e quer pagar abono aos professores

Apesar de existir proibição na Lei Eleitoral, denominando-se conduta vedada a agente público a distribuição de vantagens a servidores públicos durante o período eleitoral, o governador Amazonino Mendes (PDT), duas semanas antes do primeiro turno das eleições para o Governo do Amazonas, prepara um “pacote de bondades” na tentativa de afastar uma rejeição que só cresce e conquistar mais votos. Amazonino anunciou benesses para dois dos três maiores grupos de servidores do Estado – Segurança Pública e Educação.

Na tarde da última sexta-feira (21), o secretário extraordinário, coronel Walter Cruz, anunciou a promoção de 1,9 mil militares, sendo 1.642 policiais e 258 bombeiros. O anúncio foi feito no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na avenida André Araújo, bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus, com a presença do o secretário de Segurança Pública, coronel Anézio Paiva, do chefe da Casa Civil, Arthur Lins, e do comandante-geral do PM, coronel Cláudio Silva.

Durante a assinatura das promoções, o Governo tentou mostrar que o ato não tinha relação nenhuma com o processo eleitoral e que as promoções fazem parte de um cronograma regular e das metas do Programa GuardiAM 24horas, no âmbito da consultoria milionária paga à Giuliani Security Safety, empresa do ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani.

No entanto, os policiais militares estão à espera das promoções, pelo menos, desde 2015 e já tinham feito inúmeras manifestações solicitando o que era deles por direito.

E se não bastasse ‘desenterrar’ as promoções em pleno período eleitoral, o Governo também ‘desengavetou’ o concurso público – esperado desde 2015 – para as Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e para Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

De acordo com o secretário de Segurança Pública, coronel Anézio Paiva, o edital para o certame deve ser lançado na próxima semana. O concurso público vem sendo previsto desde 2015 e já havia sido anunciado pelo então secretário e vice-governador Bosco Saraiva (Solidariedade) desde dezembro de 2017. Na época, Bosco disse que o edital seria lançado em Janeiro deste ano. Em maio, o Governo publicou o quantitativo de vagas e até então nada da publicação do edital.

Ao que tudo indica, o edital com 5,8 mil vagas deve ser divulgado às vésperas do primeiro turno das eleições – mas claro, tudo dentro de um cronograma pré-definido.

As coincidências da concessão de benesses e anúncio de concursos poderiam parar por aí, mas, em setembro, em pleno período de campanha eleitoral, o Governo pediu autorização do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) para pagar abonos de R$ 2,5 mil a R$ 5 mil para 34 mil professores e pedagogos da rede pública estadual com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Meses atrás, o Governo dizia não ter recursos para o pagamento do abono. Mas, às vésperas da eleição, os valores surgiram na conta do Estado.

Até o momento, o TRE-AM não se pronunciou sobre a consulta feita pelo Governo sobre o pagamento do abono, mas, em vídeo divulgado nas redes sociais e publicado no Sinais do Radar dessa sexta-feira (21), o secretário de Educação, Lourenço Braga, dá como certo o pagamento aos professores.
Esse mesmo “pacote de bondades” para servidores públicos foi distribuído pelo ex-governador cassado por crime eleitoral e preso por corrupção, José Melo, durante sua campanha à reeleição em 2014, mas no final dessa história todo mundo viu a maldade que resultou.