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Assembleia monta grupo de trabalho contra ato do Governo Bolsonaro que pretende municipalizar saúde indígena

A vice-presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputada Alessandra Campêlo (MDB), e os deputados Wilker Barreto (PHS) e Dermilson Chagas (PP) compõem um grupo de trabalho formado no Legislativo estadual contra a proposta do Governo Federal de municipalizar a gestão da saúde indígena.

De acordo com os parlamentares, na prática, a medida significa a extinção da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) e dos serviços oferecidos nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

“Os DSEIs executam, por exemplo, programas de vacinação, programas de atendimento à mulher indígena gestante, então é um programa completo aos povos indígenas. O nosso apelo é contra a extinção da SESAI, dos DSEIs e, ao contrário, nós vamos pedir que haja mais apoio, porque não é um modelo perfeito obviamente e ele precisa ser aprimorado e não extinto. A gente precisa andar para frente não para trás”, disse Alessandra.

A criação do grupo de trabalho foi anunciada pelo presidente da Aleam, deputado Josué Neto (PSD), durante uma manifestação realizada por lideranças indígenas na Assembleia. Segundo ele, um manifesto deve ser elaborado e será encaminhado à bancada amazonense em Brasília.

Retenção de recursos

De acordo com Alessandra Campêlo, o Governo Federal pretende “sufocar” o sistema de Saúde Indígena no Estado, com a retenção de recursos em Brasília prejudicando servidores, contratos e o funcionamento regular dos serviços.

“Desde outubro do ano passado não são feitos repasses corretamente, e se uma medida não for tomada de forma emergencial muitos irmãos nossos poderão morrer por falta de assistência. O Governo Federal não está fazendo o repasse, então o Governo se não extinguiu no papel está tentando sufocar a saúde indígena porque não repassa o recurso que está carimbado no Orçamento da União e que é para a saúde dos povos indígenas”, afirmou Alessandra.

Para o deputado Wilker Barreto, o Governo Federal virou as costas para as demandas dos amazonenses, inclusive dos povos indígenas.

“Brasília desconhece o que é o Amazonas, porque se eles soubessem da realidade do que é o Amazonas eles com certeza dariam um atendimento diferenciado a nós. Nós não podemos permitir o retrocesso”, disparou Wilker.

Já Dermilson Chagas critiou o presidente Jair Bolsonaro e disse que ele não tem projeto de País e visa unicamente acabar com conquistas históricas dos trabalhadores brasileiros.

“Brasília toma as suas decisões de forma alienígena, como se não existisse a Região Norte e nós estamos sofrendo todos os dias o ataque de um Governo que faz um voo cego sem um projeto e direção. E isso vem atingir exclusivamente, entre todas as causas que ele vem colocando, os povos indígenas. Já chega, Bolsonaro, de atingir as pessoas simples, humildes, chega de não olhar mais para as pessoas que sustentam esse País”, disse Dermilson.

A Assembleia dará apoio logístico aos representantes dos povos indígenas para que eles levem as reivindicações ao Ministério da Saúde.

Com informações da diretoria de comunicação da Aleam.