Ataque à ZFM: Bolsonaro reduz a alíquota de imposto de importação sobre bicicletas, gerando empregos e renda na China

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A redução do imposto de importação sobre bicicletas foi publicada no DOU (Diário Oficial da União), na edição desta quinta-feira. A diminuição da alíquota, que atualmente é de 35%, deve ocorrer de forma gradual, sendo a primeira redução para 30% em março, a segunda para 25% em julho e para 20% em dezembro. Com isso, o presidente Messias Bolsonaro tira a competitividade da indústria de bicicleta da Zona Franca de Manaus, pondo em risco cinco mil postos de trabalho diretos no setor de bicicleta e torna atrativo o preço das bicletas produzidas na China, gerando mais emprego e renda na indústria chinesa.

Como de costume na atual presidência do País, sem a devida formalidade e seriedade que requer o cargo de chefe da Nação e uma assunto econômico tão importante, a medida foi anunciada em postagem em suas redes sociais, na noite de quarta-feira, (17), com o presidente sem camisa, andando de bicicleta. O presidente disse que a Camex (Câmara de Comércio Exterior) decidiu reduzir o imposto para 20% até dezembro.

O Município de Manaus é o maior centro fabricante de bicicletas de todos os países do Ocidente, ficando atrás apenas da China. A diminuição da alíquota fará com que os produtos chineses cheguem ao Brasil e concorram diretamente pelas fabricantes do Amazonas, o que gera a redução de venda e produção, e consequentemente os desempregos em massa no setor.

Parlamentares federais e estaduais do Amazonas se manifestaram pedindo a reconsideração da decisão e repudiam a mudança, pois, segundo eles, a medida gerará desemprego em massa no PIM (Polo Industrial de Manaus), de pelo menos 5 mil empregos diretos no Amazonas.

Ao chamar Bolsonaro de “inimigo da Zona Franca”, o deputado federal José Ricardo (PT) afirmou que a medida vai gerar desemprego em massa, fazendo com que essa medida acabe por “prejudicar as empresas no Brasil e inviabilizar fábricas em Manaus”. “Gera desemprego aqui e emprega no exterior. Esse governo vai acabar com o povo e o Brasil”, afirmou o deputado.

O senador Eduardo Braga (MDB) afirmou que o setor de duas rodas tem 14 mil trabalhadores no PIM, entre postos de trabalho diretos eindiretos, e prometeu trabalhar para “reverter a situação”. “Esta medida fragiliza muito a produção no PIM e, consequentemente, coloca em risco os empregos já existentes”, disse Braga.

O Deputado Estadual Serafim Corrêa (PSB) repudiou a medida em sessão plenária da ALEAM nesta quinta-feira ,18, e até criticou a forma que o Presidente de uma nação dá uma notícia em rede social sem camisa e andando de bicicleta. “Isso é marketing, não é gestão”. E afirma que isso favorece a China e não o nosso Amazonas. “Quando diminue as alíquotas favorece a China. Com o Imposto de Importação diminuído ela poderá desmontar as empresas brasileiras. É triste que o presidente mais uma vez possa ameaçar a Zona Franca de Manaus”, criticou Serafim.

O Parlamentar foi acompanhado pela maioria dos Deputados da Assembleia Legislativa do Amazonas.

A Deputada Alessandra Campêlo enfatiza que essa medida não beneficia em nada o povo brasileiro pois ele gerará desemprego em todo o Brasil pois é uma diminuição progressiva. “A produção brasileira desse setor será destruída e dizimada, destruir o pólo de bicicletas no Amazonas é destruir a vida de centenas de pessoas e sugiro que o presidente da Casa coordene um pedido de apelo em Requerimento geral subscrito pelos Deputados para garantir o emprego não de 5 mil pessoas, mas de 5 mil famílias.”

Massacre à Zona Franca de Manaus

Não é a primeira vez desde 2019 que o Amazonas precisa reagir a ataques do governo federal à Zona Franca de Manaus. No primeiro ataque foi ao polo de concentrados de bebidas, que teve o IPI reduzido e ameaçava as empresas instaladas na capital amazonense. Na ocasião, o ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a afirmar que o polo de concentrados gerava apenas 80 empregos, claramente fazendo política econômica depreciativa contra a Zona Franca de Manaus.

Uma mobilização da bancada amazonense em Brasilia conseguiu remediar a situação, mas mesmo assim a indústria ainda teve perdas para a indústria de concentrados de bebidas, o que fez por exemplo que a fábrica da Pepsi saisse de Manaus.