Atendimento de pacientes com problemas mentais está sucateado no AM, denuncia Comissão

A Comissão de Usuários e Profissionais da Saúde Mental do Amazonas denunciou, nessa quarta-feira (28), em reunião na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no Estado estão sucateados e não atendem a demanda.

“Nós não temos leitos em hospitais gerais para atender as pessoas quando estão em crise. Nós só temos a emergência do Hospital Eduardo Ribeiro, que conta apenas com 20 leitos. Então, tem dias que lá está superlotado e a gente também nota o grande índice de suicídio que vem acontecendo. A gente não tem serviço para atender a população e os CAPS não funcionam, estão sucateados, com uma demanda muito grande, que acabam não tendo prestação de serviço de qualidade”, denunciou o representante da comissão, José Setemberg Rabelo.

Em reunião com o deputado Serafim Corrêa (PSB), Setemberg afirmou que o objetivo do grupo é fortalecer as políticas na área de saúde mental a partir no novo Governo, passando pela ampliação dos CAPS. “A população do Estado que precisa de atenção na área de saúde mental tem direito a um atendimento que respeite a dignidade do cidadão e se faz necessária uma reavaliação de investimentos nessa área. De minha parte, as demandas da comissão terão espaço nos debates”, garantiu Serafim.

Em Manaus, existem quatro CAPS, sendo três da Prefeitura Municipal de Manaus e um do governo estadual. “Aqui, era para termos ao menos uns 40 CAPS e nós só temos quatro. A gente precisa de centros para atender, individualmente, as demandas infanto-juvenil, adulta e idosa e o atendimento em crise, que poderiam ser nos prontos-socorros e também o atendimento em hospital geral. Há pessoas que precisam de um tempo para sair da crise, há pessoas que têm problema com transtornos mentais em razão do uso abusivo de álcool e drogas. Nós não temos essa estrutura no Estado do Amazonas”, disse Rabelo.

Política de lucro

De acordo com Setemberg, o Ministério da Saúde planeja reativar leitos nos hospitais psiquiátricos e, segundo ele, isso representa uma política de isolamento e medicalização. “Nós sabemos que a política dentro desses hospitais é a de isolamento e de medicalização, enquanto os CAPS trabalham para reinserir o paciente na comunidade. No CAPS, nós temos o exercício da cidadania, temos a perspectiva de, caso desejemos, voltar a estudar. Podemos ser reinseridos no mercado de trabalho e nós consideramos um retrocesso essa nova política do Ministério da Saúde. A gente considera isso uma forma de lucrar com a loucura”, disparou.

Setemberg afirma que os hospitais psiquiátricos recebem por internação e que, em alguns casos, o paciente precisa de uma internação breve. “O Ministério da Saúde está querendo fazer da saúde mental uma mercadoria. Eles podem colocar uma internação de dois três meses sem necessidade, então, essa é a nossa preocupação”, concluiu.

Com informações da ALE-AM.