Aumento de imposto gera críticas da oposição e de empresários

impostosÉ assim com o planejamento das famílias. Imagine uma de cinco pessoas. Para investir na formação das crianças, os pais matriculam os três filhos em uma escola melhor, e mais cara.

E também em um curso de inglês. Só que de repente vem uma conta extra obrigatória, que não estava nos planos, como um imposto. Talvez só cortar gastos supérfluos não seja suficiente, e os pais terão que mudar os planos na educação dos filhos. Por exemplo, tirar do inglês.

É o mesmo raciocínio que fazem as empresas. Elas fazem contas hoje para saber o quanto podem investir e quantas pessoas contratar no futuro. Mas uma mudança numa regra depois que os cálculos já foram realizados pode comprometer todo o planejamento.

Quando aparece uma conta a mais, inesperada, o empresário é obrigado a cortar gastos de algum lado. Em uma fábrica de tecidos, a nova medida do governo assustou.

Quando as desonerações da folha de pagamentos começaram, a fábrica reduziu os custos e os preços dos tecidos. Ganhou competitividade aqui dentro e também no exterior – aumentou as exportações. Agora, segundo o dono da empresa, essa competitividade pode estar comprometida.

“Já vínhamos sendo surpreendidos com aumentos de fornecedores, de prestadores de serviços e vamos ter mais esse problema agora para pensar como vamos fazer”, comentou o dono da fábrica, Renato Bitter.

Para representantes da indústria, a medida provisória vai agravar as dificuldades já enfrentadas pelo setor. Em nota, a Confederação Nacional da Indústria reconheceu a importância do ajuste fiscal. Mas alegou que a medida é um retrocesso para a competitividade de muitos setores que enfrentam forte concorrência internacional e que ela terá consequências para a manutenção dos empregos.

O Instituto para Desenvolvimento do Varejo também divulgou nota e diz que esse custo a mais com o imposto será repassado para os consumidores, aumentando a inflação.

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo também criticou a medida.

“O aumento de impostos como foi o caso dessa medida, ou qualquer outro aumento de imposto que haja intenção do governo gera desemprego, gera enfraquecimento das empresas que já estão com uma situação bastante difícil. Enfraquece ainda mais a economia que já estava com previsão negativa de crescimento, enfim, é uma perda muito grande pra sociedade, para as pessoas e para o país”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

A economista Alessandra Ribeiro diz que as empresas já esperavam os ajustes e vinham reduzindo os investimentos. Para ela, a medida anunciada nesta sexta (27) é mais uma que vai esfriar a economia este ano. “Infelizmente, estamos pagando a conta de um diagnóstico e uma política econômica muito equivocada implementada nos últimos quatro anos”, apontou a economista da Tendências Consultoria.

A oposição vai tentar rejeitar a medida provisória no Congresso. “Nós vamos nos articular no Congresso Nacional para rejeitar a medida provisória, porque ela vem na contra mão, ela amplia ainda mais a carga tributária dificultando a recuperação econômica do país”, declarou o dep. mendonça filho – DEM/PE, líder do partido.

O presidente da Câmara defende a necessidade de ajustes nas contas públicas, mas cobrou maior debate sobre as medidas que oneram as empresas.

“Certamente haverá muitos debates porque são alguns setores atingidos que terão a sua capacidade de interlocução no Congresso tentando mudar a medida provisória. Seria importante que o governo comunicasse melhor as medidas que ele está fazendo, não só pelo âmbito, pelo enfoque na redução de despesa e aumento de arrecadação, mas também aquilo que vai ter depois de benefício pra sociedade a medida que você atinja o ajuste fiscal e que possa ter a retomada do crescimento da economia que é o que todos nós desejamos”, disse o dep. Eduardo cunha – PMDB/RJ, presidente da Câmara dos Deputados.

Fonte: G1