Bala encontrada no corpo de adolescente saiu da arma de policial militar

O laudo de comparação balística do Departamento de Polícia Técnico-Científica do Amazonas (DPTC) revelou que a bala encontrada no corpo do adolescente Hering da Silva Oliveira, 15, morto no dia 25 de outubro, saiu da arma do tenente da Polícia Militar Erivelton de Oliveira Hermes, preso desde o último 30 de outubro.

“O laudo da balística nas armas concluiu que o projétil (bala) que atingiu o garoto partiu da arma do tenente. Isso aponta para a definição da autoria e para a questão da fraude”, afirmou o secretário de Segurança, coronel Amadeu Soares.

O jovem foi morto com um tiro nas costas durante o atendimento de uma ocorrência pela PM. Hering chegou a ser socorrido pelos policiais e levado ao Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) do São Raimundo, mas acabou morrendo.

O secretário de Segurança Pública informou, nessa quinta-feira (8), que foi pedida a prisão temporária de outros dois policiais militares,  Bruno Freitas e Ivanildo Rosas, por fraude processual. A prisão foi deferida pelo juiz Mauro Antony, da 3ª Vara do Tribunal do Júri.

Segundo a Polícia Civil, a investigação constatou que a arma encontrada no local foi fornecida por uma pessoa ainda não identificada. O resultado do laudo e o pedido de prisão foram apresentados na tarde desta quinta-feira, na sede da SSP-AM, onde também estavam o comandante-geral da PM, coronel Cláudio Silva, o corregedor-geral do Sistema de Segurança Pública, Hildelberto de Barros, o diretor do DPTC, Carlos Malom, e o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Ivo Martins.

Investigações

A prisão dos policiais foi solicitada pela titular da 4ª Seccional Oeste, comandada pela delegada Rita Tenório, após a investigação confirmar que a arma encontrada no local foi plantada pelos policiais para simular a troca de tiros. A investigação aponta, ainda, a participação de outra pessoa que forneceu a arma, mas ela ainda não foi identificada. “Um inquérito já foi enviado para a Justiça, mas há investigações complementares, como é o caso da fraude processual”, disse Amadeu Soares.

As diligências da Polícia Civil concluíram que nenhum dos adolescentes estava armado e que não houve troca de tiros com a polícia. Segundo o delegado-geral adjunto, foi a partir das imagens das duas viaturas que atenderam a ocorrência que os investigadores conseguiram entender a dinâmica dos fatos no dia da morte do adolescente.

“Não sabemos o motivo real do disparo na medida em que não houve disparo por parte do Hering. Ainda mais agora pela constatação de que a arma foi plantada. Foi possível obter, por intermédio das imagens e dos áudios, que eles falavam com uma terceira pessoa solicitando o que se chama de cabrito, que no jargão popular é uma arma”, afirmou Ivo Martins.

De acordo com a delegada, a prisão temporária é imprescindível para a melhor instrução do inquérito policial, para que possa elucidar a autoria e participação nos crimes de homicídio e fraude processual e, com isso, esclarecer a dinâmica dos fatos, onde posteriormente será levado ao conhecimento do Ministério Público para que, assim entendendo, ofereça a ação penal.

O comandante-geral da PM afirmou que os policiais agiram com desvio de conduta por tentar alterar o local do crime.

Com informações da SSP-AM.