Batalhão de Choque chega em Tapauá para tentar impedir novos ataques aos envolvidos no acidente que matou mulheres e crianças

batalhão de choque

“Os familiares e amigos das vítimas estão caçando pela cidade quem participava da farra na lancha que destruiu a canoa e matou as mulheres e as crianças. Quando eles não encontram, eles vão tocando fogo em tudo pela frente. Depois de tocarem fogo na casa do Nael, dizem que a próxima casa agora é a do secretário da Câmara, o Ronaldo Félix”. Essas informações foram repassadas, na manhã desse domingo (07), por moradores do município de Tapauá, que avisaram ainda sobre a chegada do Batalhão de Choque da Polícia Militar na cidade. “Deve ser pra tentar conter os ânimos. O povo está muito revoltado. Tinha um monte de gente no barco, mais de 10 pessoas, a maioria era adulto e estava tudo bêbado. Eles não estavam nem aí pra vida dos outros, tanto que chegaram a bater em outros barcos, só que não foi com muita força. E o povo está vendo que só o menor vai pagar pelo aconteceu.”, diz o morador.

Secretário da Câmara de Tapauá, Ronaldo Felix

Secretário da Câmara de Tapauá, Ronaldo Felix

Os leitores do Radar contaram que o secretário da Câmara Municipal de Tapauá, Ronaldo Félix, fugiu da cidade, ontem, sábado (06), no barco Alves Lima. Também ontem, os familiares das vítimas com apoio de moradores da cidade tocaram fogo na casa de um dos adultos que estavam na lancha, identificado apenas pelo primeiro nome Ednael, que chegou a ser preso pela polícia de Tapauá, e acusado como um dos responsáveis pelo acidente. “Mas ele foi liberado pela polícia e fugiu da cidade. O pessoal estava atrás dele, quando não o encontrou, tocou fogo na sua casa”, contam os leitores do Radar. Assim como Ednael, outro adulto que estava na lancha e chegou a ser preso foi um indivíduo de nome Washington, mais conhecido na cidade por “veinho”. As informações são de que ele (Washington) e Ednael comercializam pescado, assim como o proprietário da lancha, um empresário conhecido por “Zé da Onça”. Eles teriam ajudado o menor a pegar a lancha e saíram para beber nos flutuantes que ficam na orla da cidade. Washington também não está mais na cidade.

“O clima aqui está muito tenso. Está virando uma situação de família contra família. Como o povo não viu Justiça, quer fazer isso com as próprias mãos e o risco é gente inocente morrer por nada. A gente tem até medo de sair de casa, e acontecer um desentendimento besta tipo um choque no transito, e acabar sendo morto porque tá todo mundo com muita raiva de tudo, querendo descontar em todo mundo que está em volta”, diz o morador de Tapauá.

Tragédia

A colisão da lancha com uma canoa que levava mulheres e crianças da Zona Rural de Tapauá para a sede do município ocorreu por volta das 17 horas, no domingo passado, 30 de novembro. A lancha, em alta velocidade, destroçou a canoa, mantando duas mulheres e duas crianças, uma de 3 anos outra de 7 anos, e deixando cinco pessoas feridas, uma delas em estado grave, um menino de cinco anos.

Um menor de 17 anos, que trabalharia como prático (piloto) da lancha para um empresário da cidade, teria pego o barco sem autorização e saído com outras pessoas para farrear nos flutuantes na orla da cidade. Ele assumiu estar na direção da embarcação, assim como contou que ele e os outros que estavam na lancha consumiram bebida alcoólica. O menor foi apreendido e trazido para Manaus. Os adultos foram liberados e, segundo informações da assessoria da Polícia Civil, vão responder por sua participação no acidente, em liberdade. (Any Margareth)