Bebê recém-nascido está entubado há 3 meses a espera de um exame; ele já teve seis paradas respiratórias

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O bebê João Pedro Barros Salazar é um dos gêmeos que nasceram prematuros, de seis meses, no dia 31 de maio desse ano, na maternidade Balbina Mestrinho. Seu irmão já recebeu alta do hospital um mês depois, João Pedro ficou na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Ele está entubado durante todo esse tempo, ou seja, três meses. “Todas as vezes que os médicos tiram da entubação, ele para de respirar. Ele já teve apneia (completa obstrução do fluxo de ar para os pulmões) por seis vezes. Os médicos acham que tem alguma obstrução que impede de respirar, mas só podem ter certeza através de um exame, a Broncoscopia”, conta a mãe da criança, Cilene Barros Salazar, que usa expressões de quem está totalmente informada sobre a situação clínica do seu filho.

Cilene fala da luta do filho pela vida. “Ele nasceu com mais complicações que o irmão. Já teve infecção por bactéria, os rins já pararam, foram muitos problemas, mas ele tem sido um guerreiro”, diz emocionada. O tom passa a ser de indignação quando ela descreve o que tem passado em busca do exame para salvar a vida do seu filho. A solicitação de exame (Boncoscopia) está datada do dia 08 de agosto – ver documento no final da matéria. “Durante uma semana eu procurei o diretor do hospital (médico Marco Lourenço) para saber do exame, mas ele nunca estava. A secretária dele acabou me dando a requisição de exame que estava há uma semana em cima da mesa dele. Disse que eu teria que ir atrás porque esse exame era somente particular, não era feito pelos SUS”, descreve Cilene.

Peregrinação

Nesse ponto, segundo Cilene Barros Salazar, começou uma verdadeira peregrinação em busca do exame. Ela foi a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) e relatou o que estava acontecendo. E sabe o que fez a secretaria do Sr. Pedro Elias? Mandou a requisição de exame de volta diz que para a direção do hospital resolver. E como já era de se esperar a direção do hospital não resolveu nada até agora.

E diante desse jogo de empurra da direção da maternidade e da Susam, e já que ter acesso aos serviços de saúde é um direito garantido pela Constituição Federal, a mãe do bebê foi atrás do fiscal da Lei, o Ministério Público do Estado (MPE). Através de ofício (ver documento no final da matéria), a promotora  da 2ª Promotoria de Justiça Junto ao Juizado da Infância e Juventude, Nilda Silva de Souza, determinou que no prazo de cinco dias úteis a Susam deveria resolver a questão. Mas, como em outras situaçõees relacionadas ao sistema de saúde pública estadual a Susam deu foi o chamado “não tô nem aí” pro MPE.

“Então, eu voltei lá no Ministério Público e eles disseram que agora vão entrar com ação na Justiça pra obrigar a Susam a dar o atendimento pro meu filho. E sabe lá quanto tempo isso vai levar. Enquanto isso, os próprios médicos dizem que meu filho corre o risco de pegar uma infecção hospitalar já que é prematuro, está com a imunidade baixa por tudo aquilo que já passou no hospital. Essa gente não tem consciência?” questiona a mãe do bebê.

Mãe-assistente social

E mesmo com as dezenas de assistentes sociais pagas pelo Governo de Melo – cadê o Fundo de Promoção Social da primeira-dama do Estado? – a mãe do bebê, Cilene Barros, é que está em busca de achar uma alternativa para fazer o exame do filho. Ela contou que conseguiu o nome do médico que faz o exame de Broncoscopia, Dr. Fabiliano. “Eu e meu marido conseguimos um telefone e falamos com a secretária dele. Ela disse que o Dr. Fabiliano atende sim pelo SUS, no Icam (Instituto de Saúde da Criança do Amazonas) e no Hospital da Criança na Zona Leste. Então, não entendo porque não resolvem”, reclama Cilene.

Em busca de respostas, o Radar esteve na Susam na manhã desta terça-feira (30) e tentou falar com o secretário Pedro Elias. A assessoria de imprensa da Susam disse que o secretário não estava e que daria rapidamente uma resposta ao Radar, mas horas depois, não chegou nenhuma resposta. (Any Margareth)

Resposta da Susam

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) se limitou em enviar ao Radar duas linhas de resposta sobre a questão do exame do bebê recém-nascido João Pedro Barros Salazar que está há 3 meses entubado num leito de UTI da maternidade Balbina Mestrinho. A Susam não dá prazo para resolver o problema, dizendo apenas o seguinte:   “A Susam informa que está tomando todas as providências para que o exame seja realizado o mais breve possível. A Susam ressalta que o paciente está recebendo todos os cuidados adequados para o caso”.

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