Bebês ficam no chão de hospital, enquanto Wilson canta e dança no interior do Amazonas (ver vídeo)

Estamos vivendo tempos de absurdo! Eu só consegui essa definição para o que estamos vivendo no Amazonas, já que outras expressões que me vieram à mente são impublicáveis. Chegaram ao meu celular, nesta segunda-feira (06), imagens de bebês sendo atendidos no chão do Hospital da Criança da Zona Sul, na Cachoeirinha e, quase ao mesmo tempo, chega um vídeo do governador do Amazonas, cantando e dançando, imagens que ele mesmo postou em suas redes sociais.

foto de crianças no chão do Hospital da Criança da Zona Sul

Fico tomada de raiva, afinal as cenas de do governador bailarino do Amazonas são como um escarnio ao que está acontecendo no Estado. Quem está no chão do hospital são apenas bebês que podiam sem uma das minhas filhas naquela situação.

Na porta o hospital, a reportagem do Radar se depara com um pai que passou mais de três horas andando até chegar à unidade de saúde, porque estava sem dinheiro para o transporte. Ele foi ao Hospital da Criança levar o filho de apenas dois aninhos, que levou uma queda e visivelmente está com peito inchado.

Criança com peito inchado sem atendimento no Hospital da criança

Ele diz que o menino está com dificuldades pra dormir, comer e até respirar. Mas, a pediatra se recusou a atender a criança e mandou ir para outra unidade de saúde, o Hospital Infantil Dr. Fajardo, mas lá se recusaram também a atender porque “só com agendamento” E uma criança sentindo dor numa imagem e Wilson dançando na outra.

O secretário estadual de Saúde, um médico renomado internacionalmente, sobre quem já escrevi matérias elogiosas, o urologista Anoar Samad, e nenhum dos seus inúmeros assessores, não apareceram pra ver o que estava acontecendo no hospital, nem pra dar uma resposta aos pais desesperados daquelas crianças que não conseguiam atendimento hospitalar. Devem estar “bailando” como o governador.

Porque não interessa o que está acontecendo no Amazonas. Tenho visto pouquíssima gente interessada. Não interessa se um rapaz morreu lá pelo interior do Amazonas, exatamente onde o governador está dançando e fazendo cantoria. O rapaz apenas ficou bêbado e se meteu numa briga de bar, um rolê errado como acontece com tantos outros jovens, alguns filhinhos de papai que jamais iriam parar dentro de uma cela com homicidas.

Lá em Barcelos isso aconteceu e um rapaz foi morto a facadas. Enquanto isso, Wilson gasta R$ 280 milhões com seu programa “Amazonas Mais Seguro” e coloca cavaletes com publicidade de seu próprio governo nas ruas.

 Ele está viajando por 26 municípios do Amazonas, levando de tudo, para todos os gostos, capacetes, coletes, ranchos, carteirinhas do auxílio emergencial, colocando placa de obra que ainda vai ser feita e que ele prometeu mais de três anos atrás e, logicamente dançando e cantando muito.

Afinal a imagem de um político é tudo. O que importa é o marketing. Lá está Wilson mais uma vez, o mesmo de 2018, o cara simpático e amigável. Que importa se ele comprou respiradores – melhor dizendo ventiladores pulmonares – superfaturados, numa loja de vinho. Ele é um cara legal, gente! Que interessa se seu governo deixou faltar oxigênio na pandemia e um número de pessoas que a gente nem sabe ao certo ainda morreu. Foi um deslize de nada. Wilson é boa gente!

No vídeo, ele canta a música de Reginaldo Rossi, “Leviana” e eu lembro que o significado de leviandade tem a ver com quem “não expressa seriedade nem sensatez; irresponsável”.

Mas o que eu sinto como se fosse escárnio com a dor do meu povo, tem gente aplaudindo como se fosse espetáculo.