Biblioteca Pública do Amazonas completa 150 anos de história

Foto: Michael Dantas

A Biblioteca Pública do Amazonas, localizada na rua Barroso no Centro de Manaus, completa, neste domingo (17), 150 anos de história.

O patrimônio abriga cerca de 250 mil obras que compões o acervo, com uma enorme diversidade de livros, jornais, artigos, revistas em quadrinhos, mapas, plantas de prédios históricos, CDs e DVDs que contribuíram para o conhecimento de diferentes gerações.

O escritor e dramaturgo amazonense Márcio Souza foi um dos que teve a Biblioteca Pública como influência em sua formação. Ele conta que foi no espaço que adquiriu o gosto pela leitura, ainda na infância.

“Meu pai trabalhava próximo ao local e nos deixava, eu e meu irmão, no setor infantil da Biblioteca. No início achávamos chato, mas com a ajuda de uma bibliotecária, passávamos a manhã lendo e, com o tempo, fomos conquistados”, comenta. “O acervo, que contém obras raríssimas, e a riqueza arquitetônica de nossa Biblioteca Pública é de causar inveja a outros estados. É um tesouro tão rico quanto o Teatro Amazonas e merece ser preservado”, frisou.

O poeta Zemaria Pinto relata que começou a frequentar assiduamente o espaço nos anos de 1970, quando ainda estava se formando no ginásio e queria expandir seus conhecimentos sobre a literatura amazonense. “Tenho um carinho muito grande pela Biblioteca. Usei muito para pesquisar sobre a literatura do século 19 e início do século 20, já que a biblioteca onde eu estudava estava defasada. Foi lá que também entrei em contato com autores do Clube da Madrugada, pois os livros não eram encontrados facilmente. Conheci Jorge Tufic, Luiz Bacellar e outros grandes escritores pela Biblioteca Pública”, disse.

Escritores da nova geração também já veem na Biblioteca Pública um lugar de encontros com leitores, além atividades culturais que formam novos públicos e trazem novos frequentadores ao espaço. Jan Santos, escritor que integra o coletivo de literatura fantástica Visagem, iniciou uma relação mais próxima com a Biblioteca em 2016, quando lançou seu segundo livro, “A Rainha de Maio”.

“Desde então, iniciei uma parceria que dura até hoje e que é muito importante para mim, assim como para outros escritores, porque podemos realizar ações não apenas em relação a lançamento de livros, mas também de formação, como oficinas”, disse. “A equipe da Biblioteca sempre se mostra muito aberta e receptiva a nos atender, dando a estrutura necessária. Com o advento da tecnologia, a gente teme como o público vê a utilidade de espaços como esse, mas fico feliz de ver que a Biblioteca não é só um lugar para pesquisa, mas um centro cultural, com atividades extensas, que atraem o público”.

Visita Virtual 

Com a recomendação do isolamento social a fim de impedir a propagação do novo coronavírus, a Biblioteca Pública do Amazonas está fechada, mas quem se interessar pode visitá-la virtualmente por meio da aba “Cultura Sem Sair de Casa”, no Portal da Cultura (cultura.am.gov.br), da Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas.

Na visita, o espectador é levado a conhecer os salões Genesino Braga, onde ficam as obras raras e de temática “Amazônia”; Thalia Phedra, com um acervo de obras gerais; Lourenço Pessoa, onde ficam os jornais antigos; e o salão Maria Luíza Cordeiro, com acervo de literatura regional, brasileira, estrangeira e infantil.

O espectador também pode ver a escada de ferro que veio de Glasgow, na Escócia; a bela pintura de Aurélio Figueiredo, que representa a Lei Áurea no Amazonas; a claraboia de telhas de vidro inglês; além das efígies gravadas no estuque de gesso do teto, que representam Teixeira de Freitas ( o “Jurisconsulto do Império”), Antônio Gonçalves Dias (romancista brasileiro que criou o indianismo romântico),  Antônio Carlos Gomes (maestro e compositor brasileiro) e Johannes Gutenberg (criador do processo de impressão com tipos móveis).

“Esta foi uma forma do público continuar próximo de nossos espaços durante esse período de isolamento social. É também uma oportunidade para aqueles que nunca visitaram a Biblioteca Pública de conhecer esse patrimônio tão importante”, afirma o secretário de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo Muniz.

(*) Com informações do Portal da Cultura