Bolsonaro “decretou” que vamos comer capim!

Durante a campanha eleitoral do ano passado, acho que todo mundo lembra que o então candidato à presidência da República, Jair Messias Bolsonaro, ofereceu capim para eleitores de Lula e, como os Estados do Norte e do Nordeste sempre votaram maciçamente em Luiz Inácio Lula da Silva e, inclusive, foram os responsáveis pela pequena diferença que fez Dilma Rousseff vencer do tucano Aécio Neves, então foi natural fazer a relação entre a população do Norte e do Nordeste e a vontade Bolsonaro de que comêssemos capim. Agora, tenho a quase certeza de que essa baixaria, assim como tantas outras que saíram da boca de Bolsonaro, era a mais pura verdade.

Cheguei a essa conclusão após saber que o Projeto de Lei Orçamentária do governo de Bolsonaro para 2020 traz um corte de R$ 8,1 milhões destinados ao “Programa de Promoção ao Desenvolvimento Econômico Regional da Amazônia Ocidental e Municípios de Macapá e Santana (AP). Isso faz com que o orçamento para 2020 de promoção ao desenvolvimento seja de pouco mais de R$ 433 mil. O valor é R$ 8,1 milhões menor em relação ao Orçamento previsto para este ano.

Em paralelo a isso, desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu, o seu ministro da economia, aquele que também fez parte da Ditadura de Pinochet no Chile, não perde uma oportunidade sequer de fazer propaganda contra a Zona Franca de Manaus e de enfraquecer nosso polo industrial, tornando-o nada atrativo a novos investimentos. O último ataque de Paulo Guedes ao único modelo de desenvolvimento que temos e que mantém o sustento de milhares de famílias, foi dizer coisas como “modelo ruim”, “antieconômico e tudo mal feito” e “custa bilhões em renúncia aos cofres da União”.

Paulo Guedes pode ser denominado de mentiroso, mas não de mal informado, É lógico que ele sabe que o modelo Zona Franca de Manaus, a chamada indústria sem chaminés, que une industrialização com equilíbrio ambiental, é aplaudido no mundo inteiro. Paulo Guedes serve aos interesses de Bolsonaro. Os ataques a ZFM são propositais.

Ele quer que a gente coma capim junto com o gado dos barões do agronegócio. Nossas matas sejam destruídas para dar lugar aos pastos daqueles que o apoiaram para chegar à presidência da República. Nossos caboclos vão virar peões dos latifundiários, ou trabalho escravo de mineradoras multinacionais, de preferência da terra de seu irmão siamês, Donald Trump. Ou quem sabe nossos trabalhadores ganhem uns trocados carregando a madeira quando voltarmos a ser porto de lenha.

Os índios e paraíbas, pelos quais Bolsonaro não consegue disfarçar a aversão, não servem para a industrialização, somente para mão de obra barata dos “cidadãos de bem”, brancos e bem-nascidos, lá do sul e sudeste. A nós foi destinado ser reserva extrativista seja do que for.