Bolsonaro faz 2019 terminar como começou!

Esse foi o ano em que vi embasbacada que a idiotice virou moda. Em que o chefe maior da Nação ensinou que se alguém não tem argumento para travar uma discussão, então é só xingar o semelhante. Melhor ainda se xingar o outro e logo depois usar o nome de Deus em vão, pra mostrar que é cristão.

Eu vi nesse mesmo ano uma Nação aceitar e até aplaudir cortes nos recursos da educação sob a justificativa que as universidades são antros de baderneiros e maconheiros.

Em que ninguém bateu panela ou fez buzinaço porque os cidadãos deste País terão que trabalhar quarenta anos, sem ficar doente um dia sequer, sem deixar de contribuir para a previdência um mês sequer, durante todos esses anos, pra poder se aposentar com 100% da média do salário de contribuição.

Enquanto isso, o presidente deste País, se aposentou com 33 anos de idade e apenas quinze anos de serviço, com uma aposentadoria de quase dez mil reais. E grande parte da população deste país acha muito normal.

Esse ano, vi os direitos trabalhistas cada vez mais serem “enterrados” sob a justificativa de que só tem trabalho quem perde direitos. E a população aplaudir esse discurso.

Enquanto isso, constatei que os filhos do mesmo presidente que fala em perdas de direitos dos trabalhadores só tiveram cargos públicos e são acusados de atos de corrupção, como de ter funcionários fantasmas e abrir empresas de chocolate pra “lavar” dinheiro público.

Em 2019 vi lideranças indígenas sendo mortas em defesa de uma retórica protagonizada pelo próprio presidente Messias Bolsonaro de que terras indígenas demarcadas são um atraso para o Brasil e deveriam estar sendo usadas para implantação de garimpos, para aumentar as áreas de criação de gado ou até de plantio de cana de açúcar. E vi boquiaberta o povo acreditando que isso trará riqueza para o Brasil e não para alguns poucos ruralistas ou empresas multinacionais.

Eu vi o Brasil sendo humilhado internacionalmente quando o presidente Messias se põe de joelhos -pra não dizer noutra posição ainda mais vexatória que vocês devem bem imaginar qual seja – diante do presidente de outro País, no caso Donald Trump, e chama de ídolo um cara que está impondo restrições às importações de produtos brasileiros, ou seja, nos prejudicando economicamente.

Este ano tive o desprazer de ver a autoridade maior do meu País virar piada internacional ao acusar pessoas sem prova alguma, como fez com o ator Leonardo DiCaprio, ou ofender uma ativista ambiental adolescente, Greta Thunberg, sem nenhuma necessidade, enquanto ela é considerada a personalidade do ano pela revista americana Time. E a ele só restou o prêmio de idiota do ano.

E terminamos o ano com Bolsonaro vetando o projeto que mantém os incentivos ao cinema nacional. E no ano em que o Festival de Cannes, o mais importante do mundo, concedeu troféus inéditos a “Bacurau”, de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e a “Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, o presidente faz o seguinte comentário momentos após o seu veto aos incentivos para o cinema nacional: “Há quanto tempo a gente não faz um bom filme no País?”.

E o ano termina com o mesmo show de idiotice como começou!