Braga define a posição do governador quanto ao apoio a presidente Dilma como “debaixo da mesa” e diz que o Governo (Dilma) também vê isso

Braga-Oposição

Em sua primeira aparição pública após as eleições de outubro, o líder do Governo Federal no Senado da República, senador Eduardo Braga (PMDB), em entrevista coletiva à imprensa na sede do seu partido no Parque 10, deixou visível que as relações da presidente Dilma Rousseff com o governador reeleito José Melo serão meramente burocráticas, com a frieza política de quem sabe que foi traída em uma garantia de apoio  dada (por Melo) antes mesmo das eleições, quando ele já estava sentado na cadeira de Chefe do Executivo estadual.

Braga foi questionado pelo Radar se o fato de ser, ao mesmo tempo, líder do Governo Federal e opositor ao Governo do Estado não geraria conflito nas relações da presidente Dilma Rousseff com o governador, Jósé Melo. Ele respondeu: “Na Democracia a gente constrói as posições políticas no processo eleitoral e o Melo optou por ter uma posição que é talvez debaixo da mesa, ou sei lá aonde, e revelou o que fez como candidato ao Governo em relação à presidência da República. E não consigo ver e creio que o Governo (Federal) também não o vê como um governador, ou candidato, que tenha apoiado a presidenta. Ao contrário, no Horário de propaganda Gratuita dele (Melo), Artur pedindo votos para Aécio (Neves), existem fotos de aliados dele pedindo voto pra Aécio, saindo das urnas inclusive manifestando voto no Aécio” – o govenador Omar Aziz, após votar, posou pra as fotos fazendo com as mãos o número 45 do presidenciável tucano. “A gente respeita, mas não quer dizer que concorde”, acrescentou Braga.

Relações frias

O senador Eduardo Braga deixou ver as relações meramente burocráticas, tanto da presidente Dilma, quanto suas, com o governador Melo ao dizer: “A função de líder no Senado é resolver as questões no Senado, internamente. Eu não tenho que tratar as questões do Governo com o governador. As questões do Governo (do Amazonas) com o governador são tratadas pela casa Civil da Presidência da República e pelo ministro Berzoini, da Secretaria de Relações Institucionais. Esses dois é que falam pela presidência da República com governadores e prefeitos, não é o líder do Governo no Senado. O Líder do Governo no Senado trata das matérias internamente no Senado e institucionalmente, quando for o caso”, explica Braga, acrescentando antes que o Radar pergunte se essas relações tão frias politicamente não iriam prejudicar os interesses do Estado: “Que fique claro que eu, sou senador da República eleito pelo Estado do Amazonas, e se for procurado pelo governador, ou seja por quem for, Antonio, Maria, José, Manoel, pode ser quem for tenho o dever institucional e republicano de tratar dos assuntos do Amazonas”.

Porém, Braga deixa claro que em seu entendimento defender os interesses do Amazonas também é ter o seguinte comportamento: “Quero saber para onde foi o dinheiro da merenda escolar, quero saber cadê o dinheiro para manutenção dos hospitais, cadê o dinheiro das cooperativas da área de saúde que estão 3 meses sem receber. Eu quero saber! Cadê os 30% pra educação que foi prometido. Eu farei oposição nesse nível. Não é oposição radical, de ser contra por ser contra, sem qualquer motivo”. (Any Margareth)