Brasil ajudou a construir consenso chave na COP 21

COP 21 - Brasil 2

O Brasil, que articulou uma das principais negociações para a elaboração da proposta de texto final da COP 21, se disse satisfeito com o texto do acordo do clima proposto pela presidência da COP 21. “O acordo reflete todas as posições que o governo brasileiro defendeu”, afirmou a ministra do Meio Ambiente do país, Izabella Teixeira.

Segundo a brasileira, o país está satisfeito com o grau de ambição do acordo e com a maneira com que o texto, ainda não aprovado, trata a questão conhecida como “diferenciação”. É nesse aspecto que o texto tenta separa diferentes obrigações e direitos para países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Izabella se viu num fogo cruzado na sexta-feira, quando a “Coalizão da Alta Ambição”, um movimento liderado por países-ilha vulneráveis ao aumento do nível do mar, conseguiu apoio da Europa e dos EUA para incluir um objetivo mais ambicioso no acordo. Em vez de limitar o aumento da temperatura a 2°C, eles pediam que o texto estabelecesse a meta de 1,5°C, mais segura.

Não havia consenso, porque países como Índia e China resistiam a essa ideia, pois isso implicava na entrada de metas mais rigorosas de cortes de emissões por volta de 2050, cifras de “40% a 70%” ou “70% a 90%”. Quem pressionava por isso era o Tony Debrum, ministro das relações exteriores das Ilhas Marshall, que lideram a coalizão da ambição.

Após conversar com países do bloco BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China), Izabella recebeu uma visita de Debrum, que convidou o país a entrar na coalizão. Izabella aceitou, um tanto reticente, sob o argumento de que a coalizão passava apenas uma mensagem política, e não técnica, para alteração do texto esboço do acordo.

“Eu mostrei a ele a linguagem que vinha do BASIC, propondo que nós tivémos um avanço ‘abaixo de 2°C’ e ‘na direção de 1,5°C’”, contou Izabella. “Perguntei se essa linguagem o satisfazia, e ele disse que sim, plenamente.”

O preço do aumento da ambição é que as metas de longo prazo para descarbonização, por volta de 2050, foram retiradas do texto. Cientistas presentes a eventos paralelos na COP 21 reclamaram muito disso, acusando o texto esboço de estar fora de compasso com a ciência. Poucos acreditam que sem obrigações ousadas ainda seja possível evitar os 1,5°C.

O embaixador do Brasil em Washington, Luiz Antonio Figueiredo, que foi um dos principais articuladores do país, defendeu o texto na sexta-feira. Afirmou que os cenários de redução específicos para atingir o grau de redução proposto no texto ainda precisam ser definidos.

E a redação proposta pelo Brasil e pelo BASIC sobreviveu, entrando no texto final do acordo.
Ambientalistas e integrantes de quase todas as delegações estão otimistas com relação à próxima plenária, que deve submeter a proposta de texto à aprovação definitiva.

Um negociador do Brasil afirmou que a Venezuela, um país que costuma usar seu direito individual de fala na plenária para atrapalhar as discussões de clima, está sob controle, e não vai travar a sessão.

Izabella afirma que trabalhou pessoalmente nisso e que outros países que se interpõem ao sucesso do acordo, como a Arábia Saudita, também foram enquadrados.
“Conversei com todo mundo, aqui. Só não conversei com o papa”, afirmou. “A expectativa é positiva.”

Fonte: G1