Brasil chegou ao “maior colapso sanitário e hospitalar da história”, diz Fiocruz

O atual estágio da pandemia de covid19 levou o Brasil ao “maior colapso sanitário e hospitalar da história”, de acordo com especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O diagnóstico foi publicado no boletim extraordinário do Observatório Covid-19. Nesta terça-feira (16), o Brasil bateu o recorde de registros de óbitos para um dia, com 2.841 vítimas fatais do coronavírus, segundo o Ministério da Saúde.

“Em termos gerais, os números elevados denotam o colapso do sistema de saúde para o atendimento de pacientes que requerem cuidados complexos para a covid-19, além de prejuízos imensuráveis no atendimento de pacientes que demandam cuidados em razão de outros problemas de saúde. São 24 Estados e o Distrito Federal, entre as 27 unidades federativas, com taxas iguais ou superiores a 80%, sendo 15 com taxas iguais ou superiores a 90%. É praticamente o país inteiro com um quadro absolutamente crítico”, afirma o boletim.

De acordo com a Fiocruz, o país está próximo de uma “catástrofe” se não forem utilizadas medidas mais intensas de supressão e bloqueio da transmissão, além dos cuidados pessoais necessários, como higienização e uso de máscaras.

“Quando a capacidade de resposta, como as ações desenvolvidas pelos serviços e sistemas de saúde, se apresenta em uma situação extremamente crítica ou mesmo em colapso, como se vê em quase todo país, sendo incapaz de atender às necessidades de todos os pacientes graves e levando os trabalhadores da saúde a situações de exaustão, estamos próximos ou diante de uma catástrofe”, diz o boletim.

A Fiocruz cita o exemplo da cidade de Araraquara, em São Paulo, que entrou em lockdown entre os dias 21 e 27 de fevereiro. O transporte público foi suspenso e as pessoas só podiam sair de casa para usar os serviços que seguiam em funcionamento — farmácias e unidades de saúde de urgência e emergência.

“Entre 21 de fevereiro e 10 de março (17 dias), a média móvel diária de novos casos de Covid-19 caiu de 189,57 para 108, uma redução de 43,02% (…)  Catorze dias após ter atingido este pico, e 17 dias depois do decreto de bloqueio ou lockdown, podemos perceber uma redução de 28,34% em relação ao pico registrado no número de internação de pacientes com Covid-19 no município”, diz o boletim da fundação.

A Fiocruz, entretanto, ressalta que o resultado dessas medidas não será imediato.

“Estas medidas demandam certo tempo para que produzam efeitos na redução da transmissão e casos, e por conseguinte na redução das taxas de ocupação de leitos hospitalares para covid-19 e óbitos. Para redução das taxas de transmissão em cerca de 40%, resultados de pesquisas apontam a necessidade de pelo menos 14 dias de adoção destas medidas, exigindo-se o monitoramento diário para acompanhar seus impactos na redução de casos, taxas de ocupação de leitos hospitalares e óbitos”.

O boletim também relembra a necessidade do uso generalizado de máscaras faciais. Segundo o boletim, máscaras de pano multicamadas podem reduzir de 70 a 80% o uso da infecção, e se 80% ou mais da população utilizarem a peça, será possível ver uma queda acentuada da transmissão do vírus. “. Se somente 50% da população utilizar máscaras a redução será mínima”, ressalta.