Butantan vai usar 20 milhões de ovos para produzir vacinas de Covid-19

Fábio Vieira/ metrópolesOvos de galinha são uma presença constante no Instituto Butantan, em São Paulo: é neles que costumam ser injetados os vírus usados todos os anos na produção da vacina para a influenza, aplicadas na campanha de vacinação nacional contra a gripe. Agora, a mesma técnica está sendo repetida na Butanvac, a vacina que o instituto paulista está desenvolvendo contra a Covid-19. A informação é da Revista Época.

O processo visa produzir e entregar 40 milhões de doses a partir de julho — um prazo por enquanto considerado irreal por alguns especialistas independentes, uma vez que sequer foi testada a eficácia desse novo imunizante em humanos até o momento.

De qualquer modo, para fazer chegar a essa quantidade, terão de passar pelas instalações do Butantan cerca de 20 milhões de ovos de galinha especificamente para a Butanvac — e, em teoria, muitos milhões mais depois disso, quando houver resultados dos testes clínicos da vacina e informações mais concretas a respeito de quão amplo será o uso contra a Covid-19 no Brasil.

Em cada um desses ovos — por enquanto, são 521 mil já entregues ao laboratório paulista por granjas especializadas — está sendo injetada uma pequena quantidade do vírus da “doença de Newcastle”, um mal aviário que é inofensivo em humanos.

A intenção é que, munido da proteína S do coronavírus, o vírus da doença de Newcastle seja capaz de estimular a produção de anticorpos contra a covid-19 no organismo humano.

E é aí que os ovos de galinha entram na história: é dentro de cada um deles, nos laboratórios do Butantan, que o vírus de Newcastle vai se alimentar e se multiplicar em nível suficiente para produzir (segundo estimativas) duas doses de vacina por ovo.