Cadê o canto do general e as bravatas do capitão?

Ciro Nogueira abraçando Bolsonaro durante agenda pública do presidente no Piauí, base eleitoral do senador (Foto: Arquivo/Isac Nóbrega/Ascom)

Quem não lembra do “show” desafinado dado pelo general Augusto Heleno, que hoje é chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, durante a convenção do PSL do qual fazia parte Messias Bolsonaro, em 2018? Pois, pra quem fez questão de esquecer, eu reavivo a memória.

“E se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão! E se gritar pega Centrão, não fica um”, cantou o general Heleno– se é que a gente pode chamar aquilo de cantar – trocando a palavra “ladrão” da letra da música pela expressão “Centrão”. Com isso, o general demonstrou todo o seu desprezo com parte do Congresso Nacional formada por parlamentares que, sabidamente, barganham cargos e benesses pagas com dinheiro público.

Na época da convenção, o general Heleno cantou essa música como forma de mostrar para os eleitores brasileiros que o candidato do PSL, Jair Messias Bolsonaro fazia política diferente, não fazia parte do toma lá dá cá Mas, como diria minha saudosa mãe cabocla, semianalfabeta, mas sábia: – é mais fácil pegar um mentiroso do que um coxo! Em pouco tempo a mentira foi desfeita e a verdade veio à tona.

Messias Bolsonaro já confirmou a ida de um dos principais expoentes do Centrão, para assumir a Casa Civil da Presidência da República, o senador Ciro Nogueira (PP), que tem feito até o que Deus duvida para defender Bolsonaro, na CPI da Covid-19, no Senado Federal, instalada para apurar as ações e omissões do Governo Federal durante a pandemia.

E na política do troca-troca, além dos milhões em emendas parlamentares, Bolsonaro que já tinha dado cargos para o Centrão pra tudo que é lado de sua máquina administrativa, agora entrega de vez a estrutura do governo nas mãos de um dos principais expoentes do Centrão, que um dia foi aliado do PT e já o chamou de facista, o senador Ciro Nogueira.

E agora que o capitão Jair teve que bater continência e dizer sim Senhor! para o Centrão, ele andou declarando que sempre foi do Centrão e lembrou que foi filiado a partidos do Centrão, inclusive ao PP. Mas, o mesmo Messias Bolsonaro fez questão de ter mais um daqueles surtos de perda de memória sobre o fato de já ter chamado o Centrão de “escória” e classificar o Centrão como “a nata do que há de pior na política no Brasil”. Então, se Bolsonaro era de partidos do Centrão, isso num quer dizer que ele era da “escória” também?

E agora o general já não canta mais e o presidente já não faz mais bravatas, apenas se curva.