Cadê o contrato “ghost” do Wilson?

Como sei que sempre tem alguém que vai dizer que euzinha, Any Margareth, estou querendo criar confusão com um valor de R$ 2,6 milhões a ser pago pelo aluguel do Hospital Nilton Lins, um valor totalmente justificável em se tratando de atendimento a pacientes com Covid-19, vou logo explicando que, por mim, o Governo de Wilson Lima poderia gastar um valor muito maior do que esse para salvar vidas dos cidadãos do Amazonas, que ainda assim seria pouco. A vida do nosso povo não tem preço. E, é sempre bom lembrar, que esse dinheiro só está voltando pra quem de direito, pro próprio povo que sustenta esse País com seus impostos.

Mas, para fazer gastos com dinheiro público existem preceitos legais a serem cumpridos? E um deles é existir um contrato. Então cadê o contrato do Governo com os donos do Hospital Nilton Lins? Dia após dia, o Radar tem procurado a publicação desse contrato de aluguel – outro preceito legal a ser cumprido é publicar o contrato – e não tem encontrado nadica de nada.

Será que o contrato é “ghost” gente? Coisa de outro mundo, do tipo alma penada que a gente ainda não conseguiu enxergar. O Radar perguntou, através de e-mail à secretaria de Comunicação, cadê o contato? Pelo jeito, ninguém sabe, ninguém viu, já que não veio uma palavra sequer de resposta.

Ai decidimos fazer a mesma pergunta ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) já que a Corte de Contas tinha dado 24h para a Secretaria de Estado da Saúde enviar documentação sobre os valores gastos e os contratos de bens e serviços referentes ao tratamento de pacientes com Covid-19.

Os nossos questionamentos foram enviados no início da semana passada e a resposta do TCE foi de que o governo tinha enviado documentos, mas que ainda iam ser analisados. Se no meio deles, havia o contrato de aluguel, isso não foi dito. E todos esses dias temos esperado e procurado alguma manifestação que seja sobre esse contrato e nem sinal do “espectro contratual” dar as caras.

Mas não é de hoje que tudo aquilo que envolve esse contrato do denominado hospital de campanha estadual Nilton Lins parece filme de terror trash (lixo em português). Primeiro, segundo declaração do então secretário de Saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias, ia ser pago R$ 2,6 milhões/mês por um hospital que já estava praticamente pronto, passando apenas por alguns reparos, antes de receber pacientes com Covid-19.

Desde os tempos de Rodrigo Tobias, essa história já mudou várias vezes. Descobriu-se, através de uma ação na Justiça, que não havia equipamentos nenhum. Eles eram de uma cooperativa de Saúde que levou os equipamentos quando desfez o contrato com a Nilton Lins. Ai, o próprio governador mudou o que os meus irmãos caboclos chamam de “causo”. O valor de R$ 2, 6 milhões, segundo Wilson Lima, era por três meses de aluguel e tinha equipamentos sim, o que faria com o governo abrisse logo os cem primeiros leitos de um hospital de campanha que teria quatrocentos leitos.

E nem cem leitos e nem quatrocentos. O hospital de campanha do Estado, no último informe, quando da visita do ministro da Saúde, Nelson Teich, ainda tinha só setenta leitos. Vai ver que os leitos falados pelo governador eram “ghost”, tanto quanto o contato que continua sendo coisa do além.

Mas o nosso Radar como bom “ghostbusters” continua caçando esse contrato fantasma do governo de Wilson Lima que, uma hora ou outra, ainda há de aparecer, nem que a gente tenha que busca-lo no além.