Câmara Federal irá discutir casos de Rabdomiólise no AM e Pará

O debate é proposto pelos deputados Zé Ricardo e Airton Faleiro

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A realização de uma Audiência Pública voltada para debater a ocorrência da doença “da urina preta”, a Síndrome de Haff no Amazonas e Pará foi aprovada na Câmara Federal nessa quarta-feira (22). A aprovação da discussão, proposta pelos deputados Zé Ricardo (PT/AM) e Airton Faleiro (PT/PA), ocorreu durante uma reunião da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e Amazônia (Cindra)

Entre os meses de agosto e setembro deste ano, o Amazonas vem contabilizando casos de Rabdomiólise, conhecida popularmente como “doença da urina preta”, supostamente por consumo de peixe contaminado. A situação já afeta dez municípios amazonenses, com 61 casos confirmados até o momento e uma morte, além de 78 casos suspeitos, o que vem gerando temor na população e, como consequência, a redução da venda e do consumo de pescado. E, recentemente, seis casos dessa doença também surgiram no Pará.

Para Zé Ricardo, que no início do mês já tinha questionado a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) e a Fundação de Vigilância do Estado (FVS), inclusive, cobrando, via ofício, medidas urgentes de investigação e orientação para impedir novos surtos no Estado, essas ondas de contaminações afetam a vida da população ribeirinha, dos pescadores, dos feirantes e a economia do Amazonas e agora também do Pará.

“Falta acompanhamento prévio dos órgãos sanitários e campanhas de manipulação correta de alimentos, para evitar novos casos e mortes. Os Governos do Amazonas e do Pará e as prefeituras têm de ficar atentas a essas situações. Estamos falando de saúde pública e de geração de emprego e renda”, declarou Zé Ricardo, que espera que com essa Audiência possam ter mais conhecimento sobre as causas dessa doença, bem como medidas de proteção à população e aos pescadores afetados por essas ocorrências.

Estão sendo convidados para esse debate, dentre outros órgãos e entidades: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), órgão responsável pelo pagamento do Seguro Defeso, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Oeste do Pará e Baixo Amazonas (Mopebam), Coordenação do Curso de Engenharia de Pesca da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Conselho Pastoral dos Pescadores, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Amazônia, Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) e Instituto Evandro Chagas (IEC).

Casos no Amazonas

Os casos da doença começaram a se manifestar ainda no mês de agosto, quando foram diagnosticados 11 casos da doença no município de Itacoatiara (a 176 km da capital). Poucos dias depois dos primeiros casos, o mesmo município registrou uma morte pela doença, que resultou na suspensão do consumo de peixes na cidade.  

Com o passar das semanas, outros municípios do Amazonas começaram a registrar casos da doença, alguns suspenderam a venda dos pescados, atingindo diretamente as famílias que dependiam da venda.

(*) Com informações da assessoria