Capitão bigode grosso fala cada vez mais fino e manso

Foto: Portal Paraná

No período da campanha eleitoral para a presidência da República, o capitão bigode grosso Messias Bolsonaro fazia bravata de todos os tipos, o que gerava visível empolgação em seus seguidores, aliados, apaniguados, xerimbabos ou coisas do gênero. Vira e mexe lá vinha Messias Bolsonaro esculachando mulheres, quilombolas, índios, gays, ou qualquer outro ser humano que ele encontrasse num momento de fragilidade para poder humilhar e alimentar, na verdade, seu próprio complexo de inferioridade.

Mas não era só com as chamadas minorias que o capitão grosso espalhava perseguição e grosseria. Messias Bolsonaro tinha como um dos principais alvos de suas bravatas o Congresso Nacional que, segundo ele, não servia pra nada e só prejudicava o país. E, em se falando de um grupo específico de parlamentares, formado pelos partidos do chamado “Centrão”, o esculacho era de ladrão pra baixo. Nesse tempo, o “mito” Bolsonaro fazia e acontecia e dizia que não tinha medo de nada.

Mas, desde o ano passado, com membros da família envoltos em acusações de corrupção, aliados sob investigações, possibilidade de impeachment e popularidade em queda, o capitão bigode grosso começou a falar cada vez mais fino. Nos dois primeiros anos de mandato, Messias Bolsonaro fez aquilo que mais acusou seus adversários, os que ele denominou de “petralhas”: transformou o Congresso Nacional num grande balcão de negócios, fazendo acordo num primeiro momento com os à época presidentes do Senado e da Câmara Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

A cada dia o capitão bigode grosso distribui mais cargos e recursos para quem antes defenestrava. Isso acontece desde que conseguiu esvaziar a chamada CPI das Fake News e vai ficando cada vez pior com a aproximação de uma CPI para apurar as responsabilidades – ou seria melhor irresponsabilidade? – do Governo Federal durante a pandemia que já causou mais de 355 mil mortes no Brasil.

O capitão presidente da República está cada vez mais manso, fala cada vez mais baixo e está cada vez mais próximo de quem esculachou. E me vem à mente nesse momento, a cena do ministro do Gabinete de Segurança Institucional do Governo, General Augusto Heleno, cantando: Se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão! Propositalmente, ele trocou a palavra “ladrão” por “Centrão”. Mas o que o general parecia não contar é que o Centrão não fugiu não meu irmão. Esse grupo de parlamentares está no governo do capitão Bolsonaro e agora é quem fala grosso, manda e desmanda!