Carlos jogou Wilson n’água e sem bóia pra se agarrar

A defesa do vice-governador Carlos Almeida entregue à Comissão de Impeachment da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) só me fez lembrar de uma frase que o povão usa costumeiramente, aquela em que fulano jogou sicrano n’água. Agora, euzinha aqui é que digo, Carlos jogou Wilson Lima n’água!

Torna-se fácil resumir as 139 páginas do documento em que Carlos Almeida se defende da acusação de crime de responsabilidade feita pelo presidente do Sindicato dos Médicos, Mario Vianna, na denúncia em que pede o impeachment do governador Wilson Lima e de seu vice: “não vi nada, não sei de nada e se fiz alguma coisa errada foi o governador quem mandou.

Quer ver um exemplo disso! Está escrito na defesa do vice-governador Carlos Almeida: “(…) o fato do Dr. Carlos Alberto Souza de Almeida Filho ter sido eleito vice-governador na mesma chapa do Senhor Governador Wilson Miranda Lima, em absoluto atrai os efeitos de eventual impedimento do titular”. Trocando em miúdos, seria o mesmo de dizer: “eu estava com ele na eleição para o governo, mas não posso pagar pelos erros dele”.

Em determinada parte de sua defesa é como se Carlos Almeida dissesse para o Poder Legislativo se ocupar de apenas retirar o governador do Executivo, argumentando que “a finalidade do processo de impeachment é afastar o Chefe do Executivo da chefia de governo”, o mesmo que dizer: “impeachment é feito pra tirar ele (governador) e não pra mim que sou vice”

O vice-governador se exime de qualquer responsabilidade sobre os atos do Executivo dizendo, por exemplo, que apenas enviou para a Assembleia Legislativa o projeto que isentaria mais de 50 empresas de pagar impostos, trazendo prejuízos para os cofres do Amazonas, já que “o projeto de Lei Complementar nº 16/2019 foi alterado por substitutivo da lavra do Governador Wilson Lima”, ou seja, o vice-governador está dizendo que só serviu de emissário, mas a culpa do projeto beneficiando os empresários “amigos do rei” é do Wilson.

Essa é sempre a posição do vice-governador Carlos Almeida em sua defesa à comissão de impeachment, se isentar de qualquer culpa ou omissão, o que na linguagem do povão é jogar o outro n’água, sem nem bóia pra se agarrar.