Carne de porco vendida em Manaus é de animais que comem lixo de presídios, diz denúncia

Foto: Pixabay

 

Uma denúncia anônima arquivada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), nesta quinta-feira (19), traz informações de que a carne de porco vendida em Manaus é de animais que comem lixo descartado de presídios da capital amazonenses. (ver documento no final da matéria)

De acordo com a denúncia anônima, além de lixo de presídio, os porcos são alimentados com comida vencida e podre. “Até camisinha vai no meio da babuja que eles dão para os porcos”, diz denúncia que foi arquivada pelo Ministério Público por falta de informações que levem aos criadores clandestinos.

Ainda segundo a denúncia, os criadores clandestinos não tratam os porcos e não dão antibióticos. “Os porcos comem lixo, comida podre, são cheios de doenças e são livremente vendidos à população de Manaus. Compram estes porcos as feiras de Manaus, açougues, supermercados de porte médio (de bairros), mercadinhos, até o Mercado Municipal comercializa a carne desses animais”, diz outra parte da denúncia.

Arquivamento

Para arquivar a denúncia, o Ministério Público informou que o denunciante não apresentou informações que pudessem levar até o local da existência desses abatedouros clandestinos, onde os animais são alimentados com comida podre e de lixo das penitenciárias.

“Observa-se que em relação à Iranduba, a denúncia somente menciona o Sítio do Seu Bento (Estrada de Manacapuru). Nenhum outro elemento de identificação foi trazido aos autos. Esse tal de ‘sítio do Seu Bento’, localizado na Estrada de Manacapuru, pode estar em área do município de Iranduba ou mesmo do município de Manacapuru, pois quando se refere à ‘Estrada de Manacapuru’, pode ser tanto em um quanto em outro município, pois a referida Estrada (AM-070) passa pelo município de Iranduba até chegar em Manacapuru”, diz o promotor de Justiça Leonardo Abinader Nobre.

Segundo o promotor, a informação trazida na notícia anônima é completamente genérica e impossível de delimitar condutas e supostos infratores. Com isso, o promotor resolveu encaminhar cópia das peças que integram a notícia de fato para os órgãos de controle, como a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Vigilância Sanitária e Delegacia de Polícia. “Se tais órgãos, em suas esferas de atuações, encontrarem abatedouros clandestinos ou quaisquer outras atividades em desacordo com as regulamentações legais, deverão adotar as providências necessárias e comunicarão tais fatos ao Ministério Público para a adoção de providências a seu cargo, também”, disse o promotor.

Sem equipe

Questionado sobre o arquivamento da denúncia, o titular da 1ª Promotoria de Justiça de Iranduba, o Promotor de Justiça Leonardo Abinader Nobre informou que o MP não dispõe de servidores e nem de estrutura para a realização das diligências necessárias à verificação dos fatos denunciados. “Importa frisar, no entanto, que, conforme registra a portaria de arquivamento, a demanda será repassada aos órgãos de repressão mais direta, como Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Vigilância Sanitária e Polícia Civil. Na hipótese de que sejam constatadas as irregularidades, o MP volta a atuar no caso”, finalizou.

Leia o documento na íntegra

DiarioOficialMPAM-2019-09-19