Carnificina em presídios de Manaus: o que a imprensa não deu!

Lá vamos nós outra vez para os noticiários de domingo. Outra vez da pior forma possível, como um Estado que não consegue conter a violência por trás dos muros de suas penitenciárias e fora deles também. Mas, por algum motivo – a gente até sabe, mas não pode falar senão é capaz de ir preso, né gente? – certas informações não são divulgadas nem pelos veículos de comunicação nacionais e nem pela imprensa local – A Crítica então nem pensar!

Tem gente ganhando cifras milionárias com esses presos, vivos ou mortos! E o Estado mantém uma Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), popularmente chamada desde sua criação de Secretaria dos Presídios, com mais de 400 cargos, para administrar as unidades prisionais que, pelo que tudo leva a crer, são na verdade administradas pelos chamados “xerifes” das cadeias. Só os gastos com a folha de pagamento da Seap, nesses cinco primeiros meses do ano, já ultrapassaram R$ 8,2 milhões, conforme dados que estão no Portal da Transparência no link de gastos com pessoal.

Mas, como se não bastasse essa superestrutura de uma secretaria só para administrar presídios, R$ 131,6 milhões estão empenhados pela Seap para pagamento de empresas gestoras do sistema prisional: Umanizzare Gestão Prisional e Serviços Ltda, Embrasil Serviços Ltda e RH Multi Serviços Administrativos Ltda.

Desse valor, R$ 114,6 milhões vão para os cofres da Umanizzare que já recebeu outros R$ 70,1 milhões, para prestação de serviços no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM I), no Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF), além das Unidades Prisionais do Puraquequara (UPP), de Itacoatiara (UPI) e do Instituto Penal Anísio Jobim (IPAT).

A empresa EmBrasil receberá do Estado R$ 14.5 milhões para prestar serviços no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM II). Já a empresa RH Multi, receberá R$ 2.4 milhões para prestar serviços na Penitenciária Feminina de Manaus (PFM).

Os “investimentos” não têm sido suficientes para garantir o controle das unidades, comandadas por facções criminosas que ordenam mortes dentro e fora das cadeias, comandam o tráfico no Estado e deixam claro a falta de comando do Governo.

Os valores colocam o Amazonas no topo da lista dos Estados com maior custo por preso no Brasil. Um preso no Amazonas custa R$4,7 mil, duas vezes mais em relação ao custo preso no Brasil, que é R$2,2 mil.

Seap no Radar

O número de servidores na Seap mais que dobrou desde quando a Secretaria foi criada pelo ex-governador cassado por compra de votos e preso por corrupção, José Melo. No ano de 2015 eram 208 e agora são 421 cargos na Seap.

Naquela época, o Radar já largava a peia num governo que extinguia secretarias, como por exemplo de Ciência Tecnologia e Inovação Tecnológica (Secti) e criava uma Secretaria de Administração Penitenciária, sob o argumento que precisava manter a disciplina e o controle nos presídios, o que não aconteceu até hoje,

No mesmo diapasão, Melo dizia à boca miúda que era muito caro ficar sustentando “mestres e doutores que não faziam nada” – discurso igualzinho do presidente, né mesmo gente? Esse discurso de Melo sim foi reproduzido em tom de defesa pela grande maioria da imprensa local – isso sai em A Crítica.